YES Blog da Escuta: 2012

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Crianças medicadas em vez de escutadas.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)










Muitas crianças apresentam dificuldades escolares: dificuldades para aprender Matemática, para ler e escrever, outras, apresentam dificuldades em se concentrarem na sala de aula. Para essas últimas, alguns profissionais ou pais (angustiados) antecipam-se em diagnosticá-las como crianças que têm problema neurológico intitulado de TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) ou dislexia,  e mediante esse diagnóstico, logo são ministrados medicamentos.

Não é por acaso, que o número de caixas do medicamento Cloridrato de Metilfenidato consumidos no Brasil, subiu em dez anos (2000 a 2010) de 70 mil para 2 milhões segundo IDUM (Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos).

O que aconteceu aqui? Porque um número tão expressivo?

Podemos e devemos, antes de darmos um diagnóstico que a classifiquem como alguém com problemas neurológicos ou psiquiátricos, nos perguntar: 
O porquê de sua desatenção? 
O que está acontecendo com elas?
Será que precisam de óculos? 
Estão dormindo bem? 
Como estão seus pais?
Alguma mudança na estrutura familiar? Problemas de trabalho, com álcool ou drogas na família? Mudança de residência? Alguma doença? Brigas? Violência?

Enfim, a lista pode ser enorme e somente depois, deveríamos fazer a investigação neurológica e psiquiátrica.
Um outra informação importante é que nem todas as crianças aprendem sempre no mesmo ritmo ou tem facilidades e ou dificuldades com as mesmas matérias.

Então, devemos nos perguntar por que em nosso país estamos diagnosticando desmesuradamente crianças que têm dificuldades na escola, como disléxicas, hiperativas ou com transtorno de atenção.
Como podemos fazer para não incorrermos no erro de reduzir as dificuldades que as crianças apresentam a seu sistema físico-químico? Como fazer para dar oportunidade a essa criança de falar sobre o que lhe acontece? Para que elas possam colocar em palavras (ou através do jogo e desenho) aquilo que ela está mostrando com seu corpo e seu comportamento?

Um olhar e uma escuta atenta dos professores em relação a seus alunos é de fundamental importância, para que os problemas que eles apresentam não sejam atribuídos somente ao que acontece com seu corpo. 
É evidente que é através dele, que as crianças mostram os sinais das dificuldades ou dos conflitos que elas estão sentindo, seja ele qual for. Porém, suas dificuldades não se reduzem ao que sentem nele, pois muitas vezes o que sentem em seu psíquico é o que o afeta as suas relações e comportamento.

Os professores e educadores, têm uma função que é essencial para o desenvolvimento do aluno e de orientação às famílias dos mesmos, pois ás vezes os pais contarão apenas com essa possibilidade para se posicionarem melhor e procurarem um diagnóstico e tratamento adequados.

Andreneide Dantas   
26/11/12

#professor #educador #desatenção #medicalizaçãodascrianças #TDAH #hiperatividade #dislexia


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quem é esse Outro que "habita" em mim ?




(Imagem retirada da internet, meramente ilustrativa)


Situações embaraçosas, escolhas de caminhos tortuosos, pensamentos repetitivos, sofrimentos que poderiam ser evitados...Quem é o causador? (leia-se causa-dor).O porquê disso tudo? É o destino? É carma? É azar?

Porque, mesmo querendo fazer diferente algumas pessoas não conseguem? Porquê não conseguem ser "senhores" de suas escolhas?

Alguns, buscam a resposta na ciência, religião, cosmo ou nas estrelas. Outros, inconformados e cansados de tanto sofrerem munem-se de coragem (pois é preciso ter coragem para enfrentar os próprios fantasmas) e encaram uma análise. Chegam um pouco desacreditados em relação ao que vão encontrar. Perguntam se é melhor tomarem remédios... pois o problema pode ser um hormônio "enlouquecido" ou uma doença genética.

Sabemos que essa não é uma tarefa simples, pois existe todo um percurso a seguir e geralmente o sujeito que sofre, acredita que “é mais fácil procurar culpados”. E o culpado primeiramente é sempre o outro: o pai, a mãe, o chefe, o namorado, a namorada, o gene ou uma molécula.

Um outro fala além de mim? “Não sou dono de todas as minhas vontades?”, perguntam-se. Somente depois, é que descobrem que esse outro que governa seus pensamentos, suas fantasias, seu Eu, sua vida, é um outro dele mesmo, é um Outro que “habita” dentro dele, a ponto de fazê-lo tomar "essa" ou "aquela" atitude. Custam a acreditar que essa força que é maior que sua vontade e que o impulsionam a sofrer e a repetir situações muitas vezes desprazerosas, provém deles mesmos, e não do destino! E quando finalmente não conseguem mais negar, começam a se responsabilizarem pelo que fazem. 

Quando isso acontece, surpreendem-se e até se divertem com as descobertas.

Esse outro responde pelo nome de Inconsciente. Inconsciente esse, que Sigmund Freud (psicanalista) descobriu nos idos de 1900 através do trabalho que empreendeu com suas pacientes histéricas, quando escutou que o sofrimento delas transcendia a seu organismo e que tinha uma força tão grande, que era capaz de controlar a vontade e o corpo delas.

O inconsciente é uma instância simbólica, que é autônoma em relação ao Eu do sujeito. É algo que governa ou desgoverna a vida, é o que não descansa nunca, pois ele conta, reconta, calcula, conta a dor, a morte, a vida do sujeito. Até quando dormimos ele está de plantão, “como um capitalista que não pára nunca”, segundo os ensinamentos freudianos, e que produz os mais belos sonhos e bizarros pesadelos!

Esse inconsciente, o freudiano, não é o mesmo que o contrário da consciência, é o que traz o selo das palavras escutadas na infância, dos significantes primordiais que marcaram o sujeito desde que ele nasceu. Tem relação com sua história familiar, com os costumes e o discurso de sua família, pois assim como os traços genéticos, eles também são transmitidos através das gerações.

O sintoma de cada um é inconsciente, por isso é algo mais forte que o sujeito, maior que sua vontade, algo que o incomoda, faz sofrer, e traz prejuízos; que o desconcerta, o desequilibra e faz dele um fantoche de seu Inconsciente.

E a análise deste “terreno” inconsciente que revela os equívocos, os tropeços de linguagem e as armadilhas que cada sujeito se faz, possibilita que ele saiba quais são os significantes que marcaram sua existência e que o empurra a fazer suas escolhas, seu modo de amar e de gozar (gozo no sentido psicanalítico como uma satisfação que nem sempre é prazerosa).

Sendo o Inconsciente um "saber não sabido", um saber que o sujeito tem, mas que não está acessível para ele conscientemente, ele necessita de um Outro - o psicanalista – que o escute e marque em seu discurso onde ele tropeça, o que ele repete e as “sabotagens” que se faz. E quando o sujeito consegue decifrar em análise seu sintoma, descobre a causa de seu sofrimento, o porquê de suas repetições, das rupturas dos laços afetivos, do uso de entorpecentes, das doenças repetitivas, etc.

Na análise, o analista escuta além da intencionalidade, pois é no registro do inconsciente que ele opera, escuta aquilo que na palavra do sujeito o trai, o que lhe atravessa, aquilo que estava reprimido. “É como se as palavras pulassem de minha boca, mas não era o que eu queria dizer”, revelou um paciente. Ora, é exatamente o que ele queria dizer, porém "não sabia". E saber sobre isso, lhe abre uma nova perspectiva, pois poderá fazer escolhas diferentes a partir dessa descoberta. Assim, poderá se colocar como dono de suas escolhas e de seu destino e não mais atribuirá ao Outro o que lhe acontece.

Andreneide Dantas
13/11/12

#inconsciente #Outro #consciência #reprimido #saberoculto # sintoma # análise #psicanálise # psicoterapia # análiselacaniana

 


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A análise liberta as crianças daquilo que elas ouvem.


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)


Quando atendemos crianças em psicanálise, podemos "libertá-las" através das palavras daquilo que elas ouviram e ouvem dos seus pais e familiares, como bem nos ensinou a psicanalista francesa, Françoise Dolto. 

Palavras que podem ter sido enunciadas em momentos de raiva, sofrimento ou quando suas mães não “sabiam” que aquilo que elas diziam, afetariam negativamente seus filhos. Pois, a maioria das vezes, as pessoas dizem brincando algo que faz muito mal. Lembro-me de uma mãe que chamava seu filho de “porcaria” e ela achava que era algo carinhoso, uma outra quando queria fazer um carinho no filho dava  “palmadinhas” nele, “de forma leve para não doer”, dizia. Na verdade, tanto em um exemplo quanto no outro, os filhos foram marcados em seu corpo por esses atos, e os repetiam na vida adulta, e isso os atrapalhavam. E não poderia ser de outra forma, pois acreditar que se é uma "porcaria" ou que "palmadas são carinhos", não podem trazer nenhum benefício.

Na análise com crianças, temos a possibilidade de desfazer esses equívocos enquanto eles estão acontecendo, diferente da análise com adultos onde alguns ditos na infância já tiveram um longo tempo de "fertilização" e consequências negativas.

Com crianças, o jogo, o desenho, a encenação tem lugar. Ela fala, joga, desenha. Algumas vezes faz um, outras faz os dois: joga e fala ou desenha e fala, ou até encena em silêncio. 

Os pais se surpreendem, pois não entendem como seus filhos tão pequenos, têm o que dizer, e acreditem: eles falam! Contam sobre o que lhes acontecem, falam sobre os desejos que têm, sobre as angústias que sentem, sobre seus medos, seus sonhos com bruxas e monstros, sobre o que seus pais disseram e fizeram, etc.

Através dos desenhos representam o que está em seu psíquico, e os convidamos a falarem sobre sua produção.  Com eles, nos indicam como está o entendimento em relação ao seu meio: a sua família, escola, amigos, irmãos e também mostram como respondem em relação ao que o outro quer deles.

E o mais importante de tudo isso, é o fato de que todos os jogos têm suas regras, que determinam o que pode ou não ser feito, e isso nos dá a oportunidade para mostrar para a criança que vivemos em uma sociedade que também têm leis, e que é muito importante que nós as respeitemos.  E não são raras as vezes, em que nos deparamos com o fato de que essas crianças não estão tendo em casa o estabelecimento das regras e dos limites, pois seus pais não conseguem transmiti-los, por não se autorizarem a ocupar o lugar de autoridade.

Com a encenação de uma brincadeira a criança coloca no simbólico, um real que muitas vezes é ameaçador ou que trouxe sofrimento, e quando finalmente conseguem colocar em palavras, sentirão alívio e não "precisarão" adoecer. 

Concluindo, em análise as crianças podem falar e mostrar o que elas entenderam em relação aos desejos de seus pais, e através das encenações, dos desenhos e dos jogos, podem elaborar algo que não fez bem para elas. Aprendem também, que "nem tudo pode ser feito" ou realizado na forma como elas querem, e que isso é uma condição para todo ser humano!

Andreneide Dantas   
05/10/12

#psicoterapiacomcrianças #desenho #jogo #ludoterapia # psicanálisecomcrianças #sintomasnainfância #angústiainfantil 
  


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Espera e o ritmo de desenvolvimento do bebê.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)        

Quando uma criança nasce, já existe um mundo de linguagem esperando-a. Um nome foi escolhido, expectativas tiveram lugar, ás vezes com sentimentos bons e outras vezes nem tanto...


E vai ser em relação a essa demanda (todo o discurso do seu meio familiar) que ela vai responder com seu corpo frágil, característico dessa fase de vida. Responderá principalmente, ao desejo da mãe ou de quem vá a esse lugar.

Se a criança vai chorar muito ou pouco, se vai mamar, pegar no bico do peito da mãe, dormir nas horas "certas" (espera-se que durante á noite), se vai crescer dentro do esperado para sua faixa etária, se vai sorrir, interagir, engordar, e etc. Tudo isso vai depender da qualidade do vínculo e do desejo desse Outro que vai se ocupar dela.

Isso significa que o seu desenvolvimento vai ser marcado e pontuado de acordo com os cuidados e desejo dessa mãe. Será través do seu discurso e do desejo inconsciente dela, que ela vai indicar e "mapear" o desenvolvimento físico e psíquico desse filho. E se por algum motivo, (muitas vezes inconsciente) ela não desejar, seu filho não se desenvolverá dentro do tempo mais ou menos previsto, mesmo que ele tenha condições físicas e orgânicas para isso.

A qualidade do vínculo que a mãe estabelece com seu filho é tão importante, que mesmo, quando o bebê nasce com algumas complicações orgânicas, o amor, o carinho e o discurso dela podem “contrariar” os manuais médicos e marcar no corpo de seu filho um ritmo de desenvolvimento muito melhor, do que para uma outra com as mesmas condições orgânicas. Vemos esse exemplo naquelas crianças que nascem com alguma síndrome e tendo um ambiente discursivo que estimule seu desenvolvimento, elas conseguem. 

Sendo assim, é muito importante que a mãe olhe para o filho, fale com ele enquanto o amamenta, fale sobre seu corpo. Dessa forma, vai simbolizando esse corpo biológico e ele vai se transformando em um corpo que responde ao simbólico, ao "mundo das palavras".

Um exemplo disso, é quando um filho emite um choro e ela descobre que ele fez cocô. Ela interpreta esse ato e da próxima vez, ele vai chorar da "mesma forma" para indicar o que ele fez. O mesmo vale para o xixi, dor de ouvido, etc. Lembro de uma mãe que com poucos dias do filho nascido, disse para seu médico que ele tinha sorrido, o mesmo respondeu que não, que ele "tinha tido espasmos fisiológicos pois era muito novo pra sorrir". Ao que ela respondeu: “Meu filho sorriu para mim “. Ela recebeu um sorriso desse filho e lhe deu uma palavra, transformou um signo orgânico em um significante, que é uma palavra carregada de sentido. Nesse caso, sabemos bem que o sentido é  do amor.

Portanto, mães e pais falem com seus filhos e quando perceberem que eles não estão se desenvolvendo, perguntem-se: “O que está acontecendo?” ou “O que estou fazendo?”. "O que posso mudar?"

Andreneide Dantas
14/09/12

#desenvolvimentodobebe #maturaçãobiológica #crianças #filho #sintomas #infância #gravidez #desenvolviemntodacriança #nascimento


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Alunos com dificuldades escolares - Qual é a causa ?


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)
                             
A escola é um lugar que possibilita o desenvolvimento do sujeito, também é um lugar de socialização.
É fato comprovado, que muitas crianças apresentam problemas ou dificuldades escolares e que na grande maioria, essas dificuldades não tem uma única causa. Podemos encontrar um conjunto de situações que incidem ou culminam nas dificuldades e que podem – se não forem tratados – evoluir para o fracasso escolar.

Portanto, não se trata de ‘procurar culpados’, para justificar esse sintoma, e sim de entender quais são os fatores que podem estar influenciando para que esses alunos não tenham um desenvolvimento escolar dentro do esperado.
E se não for feita uma avaliação cuidadosa, podemos encontrar diversas situações em que o aluno é considerado e rotulado de preguiçoso, quando na verdade existem fatores emocionais que podem estar impedindo o desejo de “querer saber”, de  “querer aprender”.

Esses fatores tanto podem ter natureza orgânica (doenças, dificuldade de visão ou audição, problemas neurológicos, etc.); ou algo relacionado a sua vida familiar (relação com seus pais, mudança de casa, morte de um ente querido, nascimento de irmãos) e ainda, podemos encontrar dificuldades  de socialização, de convivência em grupo, com seus colegas, dificuldades com algum professor (que representa figura de autoridade).

Enfim, a causa não é única e podemos através da análise, dar lugar e voz para o sujeito que sofre e que se esconde atrás do aluno. E dessa forma, a criança terá a possibilidade de encontrar os porquês de suas dificuldades escolares.
Todavia, isso será possível quando ela tiver a oportunidade de falar sobre o que lhe acontece, para que possa colocar em palavras aquilo que está ‘guardado ou reprimido no seu inconsciente’
E a escola tem uma função fundamental, pois, através do olhar cuidadoso do professor, poderá orientar seus alunos e a família para que busquem  ajuda.

Quando a criança tem a chance de falar sobre seus mal-estares, pode desfazer as equivalências sintomáticas que o impede de prosseguir aprendendo. E com isso, terá a chance de não carregar o peso de um fracasso escolar. Peso esse, que poderá atrapalhá-lo por toda vida.

Andreneide Dantas 
28/08/12

#fracassoescolar #evasãoescolar #preguiçoso #alunos #aprender

                                                                                                          

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Seus filhos não são bem-vindos em alguns lugares?


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Quantos de vocês já passaram por essa situação: alguns amigos te dizem que não podem se encontrar com você, outros desconversam, adiam... Vocês sabem  por quê?

Agora imaginem as cenas: 
Cena 1: crianças subindo no sofá, pegando objetos, derrubando, quebrando outros, gritando, correndo...

Cena 2: crianças que ao chegar a loja de brinquedos, recebe uma negativa em relação a algo que queriam ganhar, gritam, se jogam no chão e fazem um escândalo. Os pais envergonhados cedem ao pedido, que "erroneamente" recebem dos filhos como se fosse "uma ordem!".

Os ditos acima parecem ter saído de algum filme, porém é a realidade de muitas famílias brasileiras, que tem dificuldades em limitar os desejos, tantas vezes desmedidos, dos filhos.

O que acontece com essas famílias? Quem é o adulto nessa situação? Quem tem o poder de dar a ordem?

Como fazer?

Alguns pais perguntam: “Como dizer não e aguentar a vergonha do escândalo que os filhos vão fazer”? “E se quando disser o não, receber um pontapé do filho de apenas três anos de idade ?”.
Podemos dizer que esses pais são incompetentes? A questão não é essa... e sim que educar não é uma tarefa simples e fácil e muitos pais não contam com alguns recursos psíquicos e por isso, se sentem "perdidos".

A dificuldade reside em outro lugar, tem relação com a subjetividade de cada um desses pais, na dificuldade em colocar limites neles próprios (de aceitar a castração), na falta de conversa dos dois (nem sempre estão na mesma "sintonia" na hora de educar filhos), no medo de ter autoridade, pois acreditam equivocadamente, que têm que ser amigos dos filhos.

Somado a todas essas dificuldades ainda tem o social, que “vende” a ideia (louca), de que a criança tem que fazer tudo o que tem vontade para que possa se expressar melhor e não ter frustração!

Pelo contrário: a frustração é importante, pois ela vai fazer com que a criança aprenda a dizer não, a esperar, a lidar com o que não pode ter... E são os adultos que têm o dever de colocar as regras, sem medo de que seus filhos possam achá-los chatos. É óbvio que os filhos acham que seus pais são chatos quando lhe dizem "não"Mas também é verdade, que eles se sentem mais amados e mais seguros quando seus pais lhe dizem o que eles podem ou não fazer!

A frustração faz parte da vida e os filhos desde cedo tem que aprender a lidar com ela!


Afinal de contas eles não nascem sabendo, e dependerão sempre de um outro, (nesse caso os pais ou quem vá a esse lugar) que lhes ensinem a melhor forma de viver. Precisam que eles lhes transmitam as regras de convivência em sociedade.

Se eles tiverem isso em casa, com certeza serão bem-vindos em qualquer lugar!

#educar #filhos #educação #limites #frustração #respeito #comportamento #dizernão

Andreneide Dantas  (15/08/12)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O que eu sinto afeta meu corpo?


É de fundamental importância que cada sujeito reconheça que tem um corpo e que esse responde aos seus pensamentos, sentimentos e ao seu discurso.

Não é pouco o número de pessoas que sofrem de muitos males orgânicos, e desperdiçam muito tempo procurando as causas em algum mal funcionamento de seu organismo ou na genética.

Atendi um paciente que tinha procurado mais de cinco especialistas para encontrar a possível causa de seu mal-estar. Na relação de especialistas consultou-se com: cardiologista, endocrinologista, ortopedista, neurologista e gastroenterologista.  Sua queixa: sentia muitas dores pelo corpo: arritmias, dores no peito, enjoos, dores nas costas, dores de cabeça, etc. Em alguns momentos acreditou que iria ter um "ataque cardíaco"...

Como de costume, os médicos indicaram exames específicos a cada especialidade e por fim, um indicou o tratamento psicológico, já que seus exames não "comprovaram" nenhuma disfunção orgânica.

O paciente relutou muito, pois “não podia acreditar” que não tinha uma causa orgânica para seus males, já que eram no físico que ele sentia todo o sofrimento.  Disse-me: ”Como posso ser o responsável pelo que sinto em meu corpo?”; “Como posso ter provocado tudo isso?”;  “Tenho todo esse poder?”.

Os ditos acima sinalizam que existe um enorme desconhecimento (da grande maioria) do quanto os ditos e os não ditos afetam a vida e a existência. Que surpresa interessante esse homem teve, quando descobriu que sua fala e seu comportamento afetava seu corpo, que estava naquele momento “enlouquecido” pela forma como ele estava escolhendo viver: trabalhava 16 horas por dia, não se permitia ter prazeres, descansar ou tirar férias. Encarava o que fazia como uma obrigação diária comparável ao que seu avô e seu pai tinham feito. Dizia: “Não sei fazer de outra forma, sempre os vi fazendo desse jeito”. Aqui encontramos uma identificação dele com pai e avô.

Na verdade, ele descobriu que podia sim fazer diferente, finalmente se deu conta de que seu corpo tinha limites (embora seu gozo estava em excesso, sem medida) e que era importante que ele respeitasse. E a forma como descobriu isso, foi se dando conta de que ele não era o seu corpo, ao contrário disso, ele tinha um corpo, e este estava afetado por seu discurso e também por seu inconsciente.

Pois aquilo que não é dito em plavras se manifesta no corpo..

Andreneide Dantas
23/07/12

#corpo #dor #afeto #emoção #doença #psicologia #psicanálise #sentimento #dores 


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Hormônios da Felicidade ?



É inegável o benefício de alguns medicamentos, que trazem alívio para algumas dores e aliviam muitos sofrimentos, porém é importante cautela! Nem todas as dores e sofrimentos são aliviados farmacologicamente. 

Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte em Outubro de 2000, enviaram para o conceituado Jornal The New York Times, um estudo que mostra que praticar exercícios físicos é mais eficiente que o antidepressivo Sertralina, no tratamento da depressão (Revista Mente e Cérebro Ano XIX).

Infelizmente, deram um mínimo espaço para a publicação dessa matéria no caderno de saúde.

Portanto, cuidado! Antes de tomarem medicamentos, na esperança de que eles solucionem problemas, é importante que cada um se pergunte o que está acontecendo. Pois nosso corpo não responde somente ás leis biológicas, responde também ao nosso desejo - inconsciente.

Nos tempos atuais, existe uma exigência para que cada sujeito responda ás leis do mercado, satisfazendo suas exigências consumistas, e os medicamentos também entraram nessa lista de objetos oferecidos para “trazer felicidade, como se essa, pudesse vir em cápsulas.

Somos falantes e é importante que não nos esqueçamos desse fato tão importante!

Existem algumas pessoas dizendo que a seratonina é “hormônio da felicidade”. Ora, isso não é verdade, ela pode ser responsável pela sensação de ’bem-estar’, mas a felicidade de cada sujeito é de responsabilidade dele, não existindo nem um hormônio nem um gene que possa realizar tal fato. Cada um é responsável por seus atos, suas escolhas, portanto, sua felicidade.

Questionem-se, pensem sobre o que realmente podem fazer para se sentirem felizes!

Andreneide Dantas  
25/06/12

#felicidade #hormônio #desejo #subjetivo 

terça-feira, 29 de maio de 2012

A tarefa de educar filhos.



Essa é uma tarefa bastante trabalhosa, mas também muito gratificante. É o que reconhecem aqueles que escolhem ter filhos, mesmo tendo que abrir mão do seu narcisismo para cuidar de um outro ser. No caso, indefeso, que está completamente numa situação de desamparo, e que depende completamente dele. Ainda assim, essa é uma experiência maravilhosa. Mas, também é verdade que é uma experiência que dá muito trabalho, gera muitas perguntas, inquietações, dúvidas, frustrações e até medos.

Medo de que não esteja fazendo a coisa certa, de que não esteja falando a palavra correta, de que não esteja dando amor suficiente (suficiente para quê?), de que não esteja realizando os desejos, colocando os limites necessários para que aquele pequeno ser falante possa se tornar um adulto sadio, etc.

E para aqueles que tiverem seus filhos e não se perguntarem tudo isso, que acreditam que estão completamente certos do que estão fazendo, podemos dizer que estão muito equivocados. Estão, talvez, suprindo as necessidades básicas (comida, moradia, estudos) e outras que não são tão básicas assim - que pertencem ao âmbito do desejo: desejo de ter objetos tecnológicos (a relação é extensa...), de ter vários brinquedos, viagens, etc .

Muitos pais ficam perdidos em meio a tanta informação, que existe nos dias atuais: manuais de educação, propagandas de TV, conselhos de parentes, de seus próprios pais e principalmente em relação ao que viveram em sua própria infância. Fazem dessa forma (em relação ao último), ou porque acreditam terem recebido o melhor e querem repetir o mesmo com seus filhos, ou porque creem terem recebido o pior e almejam fazer "todo o contrário".

Se estiverem orientados por um, ou por outro imperativo, a verdade é que ainda estarão sob o “domínio” do que lhes aconteceram em sua própria infância. Um exemplo bem claro é quando escutamos os pais se dirigindo aos filhos e chamando por seus próprios pais: "Filho, chame a mamãe!"; "Eu e o papai queremos que você faça desse jeito!"; "Papai, leve o fulaninho para a cama dele!". São algumas frases proferidas, ás vezes durante toda a infância dos filhos.

Percebem que em todas essas orações existe um apelo ao papai e a mamãe de cada um dos sujeitos em questão? E quando eles se referem dessa forma, não estão ocupando a função deles: de pai e mãe desse filho.

E quando não ocupa sua função, a consequência incide para os dois, tanto para os pais quanto - e principalmente - para o filho que fica sem lugar. É filho de quem? A quem seus pais estão se referindo?

Essa forma de falar não é consequências para os filhos. E isso o constatamos quando recebemos pais que não entendem o que está acontecendo com seus filhos:

Porque não os obedecem, porque não os respeitam, mesmo eles sendo "tão amigos", tão bonzinhos, realizando o que eles pedem?

O problema está justamente nesse ponto! Quem disse que eles têm que realizar todos os desejos dos filhos? Quem disse que seus filhos querem que eles sejam seus amigos?

Pois quando estão na posição de amigo dos filhos, não existe hierarquia. E quando não existe hierarquia não existe autoridade, estão todos na mesma posição. Pois, os amigos são aqueles que escolhidos e estão na mesma linearidade, enquanto as funções de pai e mãe são lugares que estrutura um outro lugar: o de filho.

Portanto, pais e mães ocupem seus lugares e tenham as boas consequências desse ato!


Andreneide Dantas    
29/05/12
#tarefa #educar #filhos #psicanálise #psicoterapia 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Você tem mania de quê?





(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Muitas pessoas têm hábitos ou manias de várias coisas, outros têm superstições. Nas duas situações, elas podem viver a vida toda e conviver bem com elas, como se fizessem parte de seu ser. Existem até aqueles que “brincam” e dizem que ‘esses são eles’ como se fossem seus cartões de visita, o que os identificam.

Por outro lado, existem hábitos ou manias que são mantidas em segredo: mania de deixar sapatos enfileirados, quadros milimetricamente arrumados, mania de lavar as mãos diversas vezes, de verificar se o botão do fogão está desligado, de verificar se deixou a porta fechada e até de conferir se escreveu mesmo, “aquele trabalho ou aquele artigo’’ que queria tanto escrever.

Milhares de pessoas no mundo inteiro podem se identificar com esses comportamentos. 

Porém, é importante ressaltar que quando esses atos estiverem ‘prejudicando’ o bem-estar e causando sofrimento, que procurem ajuda. 


Muitas dessas manias’, são sentidas como imperativos e acompanhadas sempre de fantasias e pensamentos negativos: “se não fizerem tal “coisa” algo de muito ruim ( que pode ser até um acidente, doença ou morte) pode acontecer com eles ou com um dos familiares”. É o que nos dizem muitos pacientes.

Portanto, um ciclo se repete: eles têm pensamentos ruins e para livrar-se de alguma culpa inconsciente, precisam compulsivamente repetir essas manias. Esses comportamentos podem em alguns casos interromper o desenvolvimento saudável de uma vida: pode atrapalhar nas escolhas ‘amorosas’, no trabalho ou nos estudos...

É conhecido (através das mídias), casos de cantores e atores famosos, que revelaram terem descoberto que sofriam de uma neurose (neurose obsessiva) e que até então, acreditavam que o que eles faziam eram atos supersticiosos e não manias. Outros descobriram que sofriam de um transtorno psíquico chamado de T.O.C. (Transtorno obsessivo compulsivo), nomenclatura essa inventada e catalogada nos manuais psiquiátricos, quando retiraram do mesmo o termo neurose. 

Os pacientes quando nos procuram, muitas vezes não falam sobre esses sintomas, vêm geralmente por outros motivos, mas a medida que a análise avança, vão revelando esses comportamentos e se dispondo a entender porque os repetem, para descobrir a causalidade psíquica.

Esse é um momento muito importante pois, se instaura a possibilidade no sujeito de poder abrir mão deles, transformando-os. Digo que se trata de poder, porque em psicanálise nós sabemos que os sintomas, sempre representam algo para o sujeito. E se os mantinham é porque eles representavam uma verdade que estava inconsciente. Era importante mantê-los pois alguma satisfação obtinham...mesmo que fosse de forma desprazerosa.


A análise possibilita uma metamorfose no sofrimento e o possibilita uma nova forma de viver.

Andreneide Dantas  
11/04/12

#Manias #Compulsivamente #T.O.C #NeuroseObsessiva #Afeto #Repressão #Inconsciente #compulsão #neurose 

terça-feira, 20 de março de 2012

Deixem seus filhos crescerem.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)          








































Alguns pais se queixam de que seus filhos são infantis, imaturos e irresponsáveis. Que não estudam, não cuidam de seus pertences, de seus horários ou não trabalham. Dizem que “não aguentam mais” levá-los de um lado para outro, como se fossem seus “motoristas”.

Nos procuram para atender a seus filhos, pois acreditam que eles estão com problemas graves. É verdade que esses filhos estão com problemas, mas também é verdade que esses pais não escapam disso. Pois acrescido ao fato de que sofrem as consequências desses comportamentos, também, na maioria das vezes, o comportamento dos filhos é decorrente do comportamento deles. 

Eles reclamam, se queixam, porém de alguma forma continuam fazendo com que essas atitudes se repitam, ou acreditam não poder fazer nada para mudar ou ainda quando continuam “mimando” esses filhos.

Uma mulher se queixou de sua filha de 24 anos, dizendo que ela já começou a fazer três cursos e interrompeu “porque não gostou”; uma outra falou que a sua saiu do trabalho porque “não gostava do chefe”. Nos dois casos, as jovens tinham interrompido o que estavam fazendo porque não suportaram as frustrações, pois ao menor sinal de uma contrariação, abandonaram o que estavam fazendo. 

Quando escutamos essas mulheres que são mães, fica evidente que por “trás” dessas queixas, reside um comportamento que de alguma forma, contribui para que seus filhos façam assim. Pois, se com uma palavra dizem para eles crescerem, com um comportamento deixam claro que querem que eles permaneçam crianças. Algumas vezes, chegam ao cúmulo de chamarem seus filhos de “crianças ou de bebês”. Recusando-se a aceitar que os filhos cresceram. Para exemplificar: uma mãe estava na entrevista se queixando que seu filho de 6 anos faz “xixi na cama”, portanto , tem enurese noturna. Enquanto falava, deixou escapar que por “conta disso” coloca fralda nele quando ele vai dormir. 

Questionei essa atitude, e ela me disse que faz isso para que seu filho não fique “molhado” e “incomodado” e para que possa ter uma noite de sono tranquila. Falei para ela que dessa forma ficava difícil que ele mudasse seu comportamento, pois se ele não se incomodar porque mudaria tal fato? Sem perceber essa mulher "demandava" que o filho continuasse fazendo “xixi na cama”. Isso significa que quando ela colocava a fralda nele, a mensagem que transmitia era: “pode fazer xixi na cama”

Vemos com isso, que ele tinha poucas chances de fazer o contrário. Portanto, para que os filhos cresçam saudavelmente é importante que os pais permitam. E quando eles não estão permitindo é porque existem “entraves” que os impedem, e que são inconscientes. Possivelmente, algo associado a história pessoal e inconsciente de cada um. 

A escuta dessas queixas é importante, para que cada pai e mãe, descubra os “entraves” que funcionam como “amarras invisíveis” que impedem seus filhos de crescerem normalmente. Não é por falta de amor que fazem isso, geralmente é por um excesso de cuidados. 

Andreneide Dantas
20/03/12

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Escutamos o sujeito que sofre.



Quando atendemos uma pessoa que nos procura, não atendemos um sintoma, uma doença ou uma síndrome. Atendemos um sujeito que pede auxílio ou socorro para aliviar seu sofrimento.

Entendemos com isso, que mais importante que a doença que esse sujeito tenha ou um diagnóstico que ele tenha recebido (hoje em dia existe uma proliferação), é o fato de que esse mal-estar ou sintoma (por mais grave que seja) sempre significa "algo" para ele, mesmo que seja na forma de enigma.

E à medida que vamos investigando, descobrimos que existiram muitos acontecimentos anteriores a ’crise’, que não foram levados em consideração, pois na maioria das vezes foram vistos como algo que “passaria” ou que o tempo resolveria. Até que chega um dia que aquilo que foi jogado para "debaixo do tapete", toma uma proporção tão grande, que fica impossível de ser ignorado. Pois existem situações e sintomas, que em vez de serem melhorados com o passar do tempo, são potencializados.

Nesse momento é quando tem lugar: uma crise de angústia forte, que pode desencadear uma síndrome do pânico, uma depressão, desorientação em relação ao que fazer, inibições, impedimentos que paralisam a vida escolar ou profissional, ou obstáculos em relação as escolhas amorosas... Podem também desencadear doenças "letais", comportamentos de riscos ou problemas com drogas...

Quando conseguem buscar ajuda e empreendem uma análise, esses sujeitos se surpreendem quando descobrem que aquilo que eles falam cotidianamente tem relação com o seu sofrimento. Que quando escolhem dizer uma palavra e não uma outra, sofrem os efeitos dela no seu corpo. Isso é assim, porque o significante (a palavra) que eles enunciam tem efeito em seu corpo e comportamento, assim como teve e tem, as palavras que ouviu do Outro que o cuidou (mãe) e marcou seu desenvolvimento.

Dessa forma, fazendo-se responsável pelo que diz, o sujeito sofredor pode falar de seu corpo adoecido, suas tristezas, desorientações, podem produzir novos significantes, fazer associações entre uma dor física e um sofrimento que causou dor, e que antes foi ignorada. Desta forma poderão curar as feridas causadas por um gozo que destrói o corpo...

Andreneide Dantas
01/03/12

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As dores dos Adolescentes.

                                               
(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

O período da adolescência é marcado por várias transformações: tanto físicas, psíquicas, quanto sociais. E isso, não é sem conseqüências, tanto para o menino quanto para a menina.
Nesse período eles ‘’gritam’’ para o mundo suas dores, que aparecem através da agressividade, rebeldias, enfrentamentos com figuras de autoridade (pais e professores) e outras vezes (cada vez mais ) seus sofrimentos são mostrados e sentidos através do corpo.

Nessa lista encontramos desde doenças recorrentes, como anemias, gripes, pneumonias quanto outras que são mais graves ainda: tumores, transtornos alimentares (anorexia, bulimias), problemas com drogas, ferimentos no corpo...depressões, isolamento...
Todos esses males são uma forma de demonstrar que “algo” não está bem.

Quando recebemos esses adolescentes no consultório, nos deparamos com sujeitos frágeis, que nos dizem não saber o que fazer para aceitar essa nova posição na vida: “não sou mais criança”, mas ainda se sentem, às vezes, "como uma..." dizem-nos. Quando constatam que seu corpo cresceu, “e agora o que fazer? Que curso terão que escolher, “Que parceiro?”, se até agora o pai e a mãe bastaram? Eram suas referências, bússola que os orientavam no mundo...  

Deparam-se muitas vezes com pais que também sofrem (cada um com o que lhe cabe) que ficam aflitos diante de inúmeras mudanças dos filhos. E muitos adolescentes se perdem nessa "passagem para a vida adulta", pois se recusam a abandonar o mundo das "fadas e dos príncipes encantados"...ou das "certezas e escolhas dos pais".
Muitos pais que ainda tem um de seus "pés" na própria adolescência e assim, não suportam ver que seus filhos não são mais crianças, “menino ou menina”, e como conseqüência, podem fazer suas próprias escolhas. 

Mas, não se trata de culpá-los e sim ajudá-los..., pois muitas vezes os próprios pais estão "perdidos".


Uma adolescente me disse que mudou muito depois de um ano de análise, "não se fere mais", isso significa que não precisa mais "cortar-se", arrancar seus cabelos, drogar-se ou gostar de quem não gosta dela....Quando digo "não precisa mais" é porque esse ato era necessário para ela,  para suportar viver. 

Então, mais uma vez, não se trata de culpar quando um jovem tem um comportamento como esse e sim dar lugar para que ele fale sobre suas dores e sofrimento. Para essa paciente foi necessário um tempo para que falasse do "não sentido", do "sem sentido de sua vida", de suas dúvidas, para que pudesse encontrar uma outra forma de estar no mundo, com menos dores...
Seus interesses atuais são: estar com o namorado, com seus amigos e passar na universidade, pois agora sabe o que quer. 

É falando de suas dores de crescimento, que os adolescentes podem fazer o luto do corpo infantil que "perderam", do lugar que ocupavam e da imagem que tinham de seus pais. E assim, podem investir em experiências que lhe tragam bem-estar em vez de experiência que os aproximam da destruição e da morte....


Na infância eles eram orientados pela "certeza" do desejo de seus pais, que determinavam o que tinham que fazer, na adolescência "perdem" essa "bússola" e atravessam um "mar" de dúvidas e sofrimentos e na análise podem falar e se escutarem e assim se orientar pelo seu desejo.


Andreneide Dantas   
04/01/12

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