YES Blog da Escuta: 2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019



Aprendemos em Psicanálise, que o sujeito é afetado por tudo que lhe acontece. É afetado pelo que escuta de seus pais, pelo que diz, o que cala, por seus pensamentos e emoções.
Corpo e psique não estão separadas. Foi necessário que a ciência fizesse isso, para descobrir as causas de várias doenças que antes matava.... para que se aprimorassem e inventassem técnicas para salvar vidas ou trazer alívio para outras.
Porém, encontramos muitas pessoas que não querem saber do fato de que eles adoecem por conta do que acontece em suas vidas.
Essas pessoas podem passar anos procurando a causa de doenças ou sofrimentos, no orgânico, na bioquímica de seu cérebro.
Fazendo assim, desconsideram o capital mais importante que eles têm: a linguagem.
O inconsciente afeta diretamente o corpo. E ele é estruturado como uma linguagem, como nos disse Lacan.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


O sofrimento faz parte da vida. É impossível que não o tenhamos.
É um equívoco quando as pessoas pensam que tem que estar todo o tempo bem ou todo o tempo felizes.
Quando sofre uma frustração, uma perda de um ente querido ou perda de um trabalho... é esperado que o sujeito fique triste, chore ou sinta raiva.
Pois se o sofrimentos não forem expressados, cobrarão a 'conta' no corpo. Provocando ansiedades exageradas, dores, doença autoimunes ou depressões, etc.
Mais uma vez repito, que em alguns casos é importante o uso de medicação, para que possa mitigar uma ansiedade galopante ou melhorar um estado depressivo que deixa o paciente na cama... mas o uso excessivo é muito nocivo!
É fundamental que as pessoas possam falar sobre o que sentem, para que encontrem condições de lidar melhor com o que lhes acontece.
Para que possam acessar essa 'língua estrangeira' que é seu inconsciente!
Não é verdade que o tempo cura tudo. Às vezes ele somente 'cristaliza' sofrimentos que encontram no corpo uma forma de saída.

Andreneide Dantas
23 de Janeiro de 2019 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


O trabalho sobre a angústia que Lacan empreendeu em seu seminário X, a coloca em sintonia com o gozo.
Dizendo que por trás da angústia encontramos a pulsão que quer, por que quer, se satisfazer. Quer se satisfazer como vontade de gozo.
Ela é sinal do real. 
Primeiramente ele tinha formulado a angústia como signo do desejo do Outro e depois ela é sinal do real. Nos diz , 'a angústia, portanto, é um tempo intermediário ante o gozo e o desejo, uma vez que é depois de superada a angústia , e é fundamentado no tempo da angústia, que o desejo se constitui. 
Aqui estamos falando da angústia como sinal, aquilo que inquieta, nos faz questionar, pensar, nos tira da 'zona de conforto' do imobilismo....a angústia produtiva.
Não é a angústia desenfreada, que causa transtornos e atrapalha a vida do sujeito a ponto de desregular suas funções, provocando taquicardia, sudorese, sensação de 'pânico' como nos relata os analisandos.
Essa angústia aparece quando falta a falta. Quando o sujeito não conta com seus recursos psíquicos pra lidar com uma situação.
Quando só resta pra ele contar com seu corpo!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019




Freud afirmou em 'O eu e o isso' que o declínio do Complexo de Édipo é resultado de uma interiorização da interdição paterna. Desta forma, a criança adquire uma consciência moral, em outras palavras, existe a dominação do Supereu sobre o Eu do sujeito.
É muito importante que isso aconteça pra que funcione para o sujeito uma lei interna que ponha 'freios' em sua pulsão destrutiva.
Ele também observou, que em alguns sujeitos, principalmente pacientes obsessivos, esse Supereu pode ser muito severo. Podendo se tornar hipermoral e às vezes tão cruel quanto só o isso pode ser.
Essas são as duas faces do supereu. É importante que cada um o tenha, pra funcionar como um limite, mas se for muito excessivo ele também pode ser o responsável por tornar a vida do sujeito insuportável. Trazendo muita culpa. Ditando 'regras' de que ele não pode isso, ou não pode aquilo.