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Mostrando postagens de 2012

Crianças medicadas em vez de escutadas.

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração) Muitas crianças apresentam dificuldades escolares: dificuldades para aprender Matemática, para ler e escrever. Outras, apresentam dificuldades em se concentrar na sala de aula. Para essas últimas, alguns profissionais ou pais (angustiados) antecipam-se em diagnosticá-las como crianças que têm problema neurológico intitulado de TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) ou dislexia,  e mediante esse diagnóstico são ministrados medicamentos. Não é por acaso, que o número de caixas do medicamento Cloridrato de Metilfenidato consumidos no Brasil subiu em dez anos (2000 a 2010) de 70 mil para 2 milhões segundo IDUM (Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos). O que aconteceu aqui? Porque um número tão expressivo? Podemos e devemos, antes de darmos um diagnóstico que classifique alguém com problemas neurológicos ou psiquiátricos, nos perguntar:  O porquê de sua desatenção? 

Quem é esse Outro que "habita" em mim ?

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(Imagem retirada da internet, meramente ilustrativa) Situações embaraçosas, escolhas de caminhos tortuosos, pensamentos repetitivos, sofrimentos que poderiam ser evitados.Quem é o causador? (leia-se causa-dor). O por quê disso tudo? É o destino ? É carma? É azar? Por que, mesmo querendo fazer diferente algumas pessoas não conseguem? Por que não conseguem ser "donos" de suas escolhas? Alguns buscam a resposta na ciência, religião, cosmo ou nas estrelas. Outros, inconformados e cansados de tanto sofrer munem-se de coragem (pois é preciso ter coragem para enfrentar os próprios fantasmas) e encaram uma análise. Chegam um pouco desacreditados em relação ao que vão encontrar. Perguntam se é melhor tomar remédios... pois o problema pode ser um hormônio "enlouquecido" ou uma doença genética. Sabemos que essa não é uma tarefa simples, pois existe todo um percurso a seguir e geralmente o sujeito que sofre acredita que é mais fácil procurar

A análise liberta as crianças daquilo que elas ouvem.

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração) Quando atendemos crianças em psicanálise podemos "libertá-las" através das palavras, daquilo que elas ouviram e ouvem, dos seus pais e familiares, como bem nos ensinou a psicanalista francesa, Françoise Dolto.  Palavras que podem ter sido enunciadas em momentos de raiva, sofrimento, ou quando suas mães não “sabiam” que aquilo que elas diziam, afetariam negativamente seus filhos. A maioria das vezes, as pessoas dizem brincando algo que faz muito mal. Lembro-me de uma mãe que chamava seu filho de “porcaria” e ela achava que era algo carinhoso, uma outra, quando queria fazer um carinho no filho dava “palmadinhas” nele, “de forma leve para não doer”, dizia. Na verdade, tanto em um exemplo quanto no outro, os filhos foram marcados em seu corpo por esses atos e os repetiam na vida adulta e se atrapalhavam. E não poderia ser de outra forma, pois acreditar que se é uma "porcaria" ou que "palmadas são carin

Espera e o ritmo de desenvolvimento do bebê.

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)         Quando uma criança nasce, já existe um mundo de linguagem esperando-a. Um nome foi escolhido, expectativas tiveram lugar, ás vezes com sentimentos bons e outras vezes nem tanto... E vai ser em relação a essa demanda (todo o discurso do seu meio familiar) que ela vai responder com seu corpo frágil, característico dessa fase de vida. Responderá principalmente, ao desejo da mãe ou de quem vá a esse lugar. Se a criança vai chorar muito ou pouco, se vai mamar, pegar no bico do peito da mãe, dormir nas horas "certas" (espera-se que durante á noite), se vai crescer dentro do esperado para sua faixa etária, se vai sorrir, interagir, engordar, e etc. Tudo isso vai depender da qualidade do vínculo e do desejo desse Outro que vai se ocupar dela. Isso significa que o seu desenvolvimento vai ser marcado e pontuado de acordo com os cuidados e desejo dessa mãe. Será través do seu discurso e do desejo inconsciente d

Alunos com dificuldades escolares - Qual é a causa ?

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)                               A escola é um lugar que possibilita o desenvolvimento do sujeito, também é um lugar de socialização. É fato comprovado, que muitas crianças apresentam problemas ou dificuldades escolares e que na grande maioria, essas dificuldades não tem uma única causa . Podemos encontrar um conjunto de situações que incidem ou culminam nas dificuldades e que podem – se não forem tratados – evoluir para o fracasso escolar. Portanto, não se trata de ‘procurar culpados’ , para justificar esse sintoma, e sim de entender quais são os fatores que podem estar influenciando para que esses alunos não tenham um desenvolvimento escolar dentro do esperado. E se não for feita uma avaliação cuidadosa, podemos encontrar diversas situações em que o aluno é considerado e rotulado de preguiçoso, quando na verdade existem fatores emocionais que podem estar impedindo o desejo de “ querer saber ”, de  “ querer aprender ”.

Seus filhos não são bem-vindos em alguns lugares?

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração) Quantos de vocês já passaram por essa situação: alguns amigos te dizem que não podem se encontrar com você, outros desconversam, adiam... Vocês sabem  por quê? Agora imaginem as cenas:  Cena 1 : crianças subindo no sofá, pegando objetos, derrubando, quebrando outros, gritando, correndo... Cena 2 : crianças que ao chegar a loja de brinquedos, recebe uma negativa em relação a algo que queriam ganhar, gritam, se jogam no chão e fazem um escândalo. Os pais envergonhados cedem ao pedido, que "erroneamente" recebem dos filhos como se fosse "uma ordem!". Os ditos acima parecem ter saído de algum filme, porém é a realidade de muitas famílias brasileiras, que tem dificuldades em limitar os desejos, tantas vezes desmedidos, dos filhos. O que acontece com essas famílias? Quem é o adulto nessa situação? Quem tem o poder de dar a ordem? Como fazer? Alguns pais perguntam: “ Como dizer não e aguen

O que eu sinto afeta meu corpo?

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É de fundamental importância que cada sujeito reconheça que têm um corpo e que esse, responde aos seus pensamentos, sentimentos e ao seu discurso. Não é pequeno o número de pessoas que sofrem de muitos males orgânicos e desperdiçam muito tempo procurando as causas em algum mal funcionamento de seu organismo ou até na genética. Atendi um paciente que tinha procurado mais de cinco especialistas para encontrar a possível causa de seu mal-estar. Na relação de especialistas consultou-se com: cardiologista, endocrinologista, ortopedista, neurologista e gastroenterologista.  Sua queixa: sentia muitas dores pelo corpo: arritmias, dores no peito, enjoos, dores nas costas, dores de cabeça, etc. Em alguns momentos acreditou que iria ter um " ataque cardíaco".. . Como de costume, os médicos indicaram exames específicos a cada especialidade e por fim, um indicou o tratamento psicológico, já que seus exames não " comprovaram " nenhuma disfunção orgânica. O pac

Hormônios da Felicidade ?

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É inegável o benefício de alguns medicamentos, que trazem alívio para algumas dores e aliviam muitos sofrimentos, porém é importante cautela! Nem todas as dores e sofrimentos são aliviados farmacologicamente.  Pesquisadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte em Outubro de 2000, enviaram para o conceituado Jornal The New York Times, um estudo que mostra que praticar exercícios físicos é mais eficiente que o antidepressivo Sertralina, no tratamento da depressão (Revista Mente e Cérebro Ano XIX). Infelizmente, deram um mínimo espaço para a publicação dessa matéria no caderno de saúde. Portanto, cuidado! Antes de tomarem medicamentos, na esperança de que eles solucionem problemas, é importante que cada um se pergunte o que está acontecendo. Pois nosso corpo não responde somente ás leis biológicas, responde também ao nosso desejo - inconsciente. Nos tempos atuais, existe uma exigência para que cada sujeito responda ás leis do mercado, satisfazendo

A tarefa de educar filhos.

Essa é uma tarefa bastante trabalhosa, mas também muito gratificante. É o que reconhecem aqueles que escolhem ter filhos, mesmo tendo que abrir mão do seu narcisismo para cuidar de um outro ser. No caso, indefeso, que está completamente numa situação de desamparo, e que depende completamente dele. Ainda assim, essa é uma experiência maravilhosa. Mas, também é verdade que é uma experiência que dá muito trabalho, gera muitas perguntas, inquietações, dúvidas, frustrações e até medos. Medo de que não esteja fazendo a coisa certa, de que não esteja falando a palavra correta, de que não esteja dando amor suficiente (suficiente para quê?), de que não esteja realizando os desejos, colocando os limites necessários para que aquele pequeno ser falante possa se tornar um adulto sadio, etc. E para aqueles que tiverem seus filhos e não se perguntarem tudo isso, que acreditam que estão completamente certos do que estão fazendo, podemos dizer que estão muito equivocados. Estão, talvez, s

Você tem mania de quê?

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração) Muitas pessoas têm hábitos ou manias de várias coisas, outros têm superstições. Nas duas situações, elas podem viver a vida toda e conviver bem com elas, como se fizessem parte de seu ser. Existem até aqueles que “brincam” e dizem que ‘ esses são eles’ como se fossem seus cartões de visita, o que os identificam. Por outro lado, existem hábitos ou manias que são mantidas em segredo: mania de deixar sapatos enfileirados, quadros milimetricamente arrumados, mania de lavar as mãos diversas vezes, de verificar se o botão do fogão está desligado, de verificar se deixou a porta fechada e até de conferir se escreveu mesmo, “ aquele trabalho ou aquele artigo’’ que queria tanto escrever. Milhares de pessoas no mundo inteiro podem se identificar com esses comportamentos.  Porém, é importante ressaltar que quando esses atos estiverem ‘ prejudicando’ o bem-estar e causando sofrimento, que procurem ajuda.  Muitas dessas

Deixem seus filhos crescerem.

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(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)           Alguns pais se queixam de que seus filhos são infantis, imaturos e irresponsáveis. Que não estudam, não cuidam de seus pertences, de seus horários ou não trabalham. Dizem que “não aguentam mais ” levá-los de um lado para outro, como se fossem seus “motoristas”. Nos procuram para atender a seus filhos, pois acreditam que eles estão com problemas graves. É verdade que esses filhos estão com problemas, mas também é verdade que esses pais não escapam disso. Pois acrescido ao fato de que sofrem as consequências desses comportamentos, também, na maioria das vezes, o comportamento dos filhos é decorrente do comportamento deles.  Eles reclamam, se queixam, porém de alguma forma continuam fazendo com que essas atitudes se repitam, ou acreditam não poder fazer nada para mudar ou ainda quando continuam “mimando” esses filhos. Uma mulher se queixou de sua filha de 24 anos, di

Escutamos o sujeito que sofre.

Quando atendemos uma pessoa que nos procura, não atendemos um sintoma, uma doença ou uma síndrome. Atendemos um sujeito que pede auxílio ou socorro para aliviar seu sofrimento. Entendemos com isso, que mais importante que a doença que esse sujeito tenha ou um diagnóstico que ele tenha recebido (hoje em dia existe uma proliferação), é o fato de que esse mal-estar ou sintoma (por mais grave que seja) sempre significa "algo" para ele, mesmo que seja na forma de enigma. E à medida que vamos investigando, descobrimos que existiram muitos acontecimentos anteriores a ’crise ’, que não foram levados em consideração, pois na maioria das vezes foram vistos como algo que “ passaria” ou que o tempo resolveria. Até que chega um dia que aquilo que foi jogado para "debaixo do tapete", toma uma proporção tão grande, que fica impossível de ser ignorado. Pois existem situações e sintomas, que em vez de serem melhorados com o passar do tempo, são potencializado

As dores dos Adolescentes.

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                                                (Imagem retirada da internet para fins de ilustração) O período da adolescência é marcado por várias transformações: tanto físicas, psíquicas, quanto sociais. E isso, não é sem conseqüências, tanto para o menino quanto para a menina. Nesse período eles ‘’ gritam’ ’ para o mundo suas dores, que aparecem através da agressividade, rebeldias, enfrentamentos com figuras de autoridade (pais e professores) e outras vezes (cada vez mais ) seus sofrimentos são mostrados e sentidos através do corpo. Nessa lista encontramos desde doenças recorrentes, como anemias, gripes, pneumonias quanto outras que são mais graves ainda: tumores, transtornos alimentares (anorexia, bulimias), problemas com drogas, ferimentos no corpo...depressões, isolamento... Todos esses males são uma forma de demonstrar que “ algo ” não está bem. Quando recebemos esses adolescentes no consultório, nos deparamos com sujeitos frágeis, que nos dizem não saber