Pais devem falar a verdade

(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)


Se os pais querem ensinar aos filhos que é importante que falem a verdade, isso deve começar por eles. Pois, sabemos que as crianças aprendem com o que escutam dos pais (depois com professores e outros que vão ao lugar de modelos) mas também aprende, principalmente, com o comportamento dos pais.

Logo, se eles praticam o exercício de falar com seus filhos, explicar o porquê do funcionamento das coisas, o que é fantasia e o que realidade, seus filhos aprenderão com isso, e tenderão a fazer o mesmo.

Quando uma criança pergunta algo para a mãe que ela julga ser ‘demais’ ou ofensivo, ela tem a oportunidade de explicar para seu filho o quanto ele está equivocado e confuso. Mas só poderá fazer isso se antes escutar o que ele tem a dizer e perguntar porque está falando sobre aquele assunto. Um exemplo: uma criança pergunta sobre sexo ou morte, os pais precisam responder aos filhos a verdade (respeitando o limite da idade dele) em vez de ficarem em silêncio ou calar a boca deles. Pois, se não o fizerem, eles vão endereçar essas perguntas para outros, que podem ser adultos desestruturados ou até perversos.

Ao ouvir a resposta dos pais, saberão da verdade e se aliviarão. Pois, o não saber, o equívoco, dá lugar para fantasias ruins e isso gera angústia e também sintomas.
As crianças são seres em formação, logo, aprendem com o que está a sua volta, sendo fundamental que possam confiar nos pais (ou em quem vai a esse lugar), os que têm a função de: amar, ensinar e proteger. Isso é imprescindível para o desenvolvimento psíquico sadio de um sujeito.

Uma palavra ou uma explicação pode aliviar a criança. Como: contar que vai trabalhar e volta no final do dia. Mesmo que isso provoque tristeza e o filho chore, saberá que a mãe está se importando com ele e explicando o que vai fazer e quando retornará. Tem mãe que diz que vai sair e já volta, mentem, quando, na verdade, sabem que voltarão somente à noite. Ou o fato da criança perder o pai (morte) ou outro ente querido, e a mãe não contar para seu filho por acreditar que ele não entenderia.

Está claro que essa é a dificuldade dela em lidar com a morte, e não do filho. Aliás, à maioria dos adultos tem essa dificuldade: de aceitar serem mortais. Vale lembrar, com o que aprendemos com Freud, que no inconsciente não existe a representação da morte.
Mesmo a criança com pouca idade tem o direito de saber o que aconteceu com seu pai, pois, ela sentirá sua falta. É importante que não lhe tirem isso, que lhe permitam falar, chorar, ficar triste e falar da saudade que sente para poder fazer o luto dessa perda.

Quando isso não acontece, fica uma lacuna que pode ser preenchida com as mais loucas fantasias que podem desencadear doenças. Lembro de uma paciente que acreditava ter sido abandonada pelo pai, quando, na verdade, ele tinha morrido. A história que lhe contaram é que ele "fora embora."

Se os pais querem filhos sadios psiquicamente, têm que possibilitar isso. E falar a verdade e escutar o que eles têm a dizer, saber quais são suas dúvidas, será de grande valia.

Andreneide Dantas 


26/10/15

#escutaanalitica1


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