Depressão De qual sofrimento estamos falando?


Segundo a OMS a Depressão é a doença que mais incapacita no mundo, esses dados merecem que prestemos mais atenção. Milhões de vidas são atingidas e ou interceptadas, uma vez que o número de suicídios decorrente desse estado de sofrimento é muito grande. Principalmente entre adolescentes.

Mesmo com toda a informação disponível nos mais diversos meios de comunicação, é comum que ainda encontremos muitos pré-conceitos.

Também temos que levar em consideração que nem todo sofrimento psíquico é Depressão. Entretanto, precisamos prestar atenção aos estados de sofrimentos de cada sujeito, em vez de minimizá-los e interpretá-los como um sofrimento menor do que o de uma doença orgânica, e, assim, acreditar que o tempo irá curá-lo. Quando fazem assim e não buscam ajuda necessária para tratar seus sofrimentos, a consequência será a de um mal muito maior.


Não podemos reduzir o sofrimento, o mal-estar, as angústias, somente a um mal funcionamento dos neurotransmissores do cérebro, pois isso nos reduzem a ser um animal, visto que, fazer isso é reduzir o ser falante a um corpo orgânico. Reduzi-lo a um corpo é deixar de fora sua condição humana, condição de ser falante, a de ter um corpo e não ser o corpo (Lacan), a de ser responsável – mesmo que seja de forma inconsciente - pelo que lhe acontece. Quando isso é retirado do sujeito, seu sofrimento é reduzido a um mal funcionamento neurobiológico e não a um sofrimento psíquico que afeta seu corpo.


Precisamos fazer uma conta rápida: quanto mais as pessoas rechaçarem o fato de que por serem falantes são afetadas pelo que dizem, quanto mais esquecerem que são seres de linguagem, mais se reduzirão a um corpo e mais adoecem.

Entendemos a Depressão como o resultado do sofrimento do ser falante, de como cada um é marcado por sua história familiar e por seu inconsciente, por perdas e lutos não elaborados: separações, "perda" da infância, da adolescência, morte de ente queridos, o fato de ceder o seu desejo, culpas inconscientes...

E o inconsciente afeta diretamente o corpo!

É comprovado que as novas medicações trazem resultados como uma alteração químico-cerebral que ajuda alguns pacientes a se sentirem melhor, a produzir serotonina e sair da depressão profunda, mas se esse sujeito não fizer um trabalho de análise, não procurar falar sobre seu sofrimento, não poderá trabalhar as causas que o levaram a depressão ou a outra forma de sofrimento psíquico.

Pois a culpa inconsciente, a angústia, insatisfação ou a capacidade de fazer escolhas para ter saúde e felicidade, não está inscrita nos genes nem na neuroquímica do cérebro e sim na escolha ética de cada um em se fazer responsável pelo que deseja, diz e sente.

Andreneide Dantas

 

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