YES Blog da Escuta: Janeiro 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As dores dos Adolescentes.

                                               
(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

O período da adolescência é marcado por várias transformações: tanto físicas, psíquicas, quanto sociais. E isso, não é sem conseqüências, tanto para o menino quanto para a menina.
Nesse período eles ‘’gritam’’ para o mundo suas dores, que aparecem através da agressividade, rebeldias, enfrentamentos com figuras de autoridade (pais e professores) e outras vezes (cada vez mais ) seus sofrimentos são mostrados e sentidos através do corpo.

Nessa lista encontramos desde doenças recorrentes, como anemias, gripes, pneumonias quanto outras que são mais graves ainda: tumores, transtornos alimentares (anorexia, bulimias), problemas com drogas, ferimentos no corpo...depressões, isolamento...
Todos esses males são uma forma de demonstrar que “algo” não está bem.

Quando recebemos esses adolescentes no consultório, nos deparamos com sujeitos frágeis, que nos dizem não saber o que fazer para aceitar essa nova posição na vida: “não sou mais criança”, mas ainda se sentem, às vezes, "como uma..." dizem-nos. Quando constatam que seu corpo cresceu, “e agora o que fazer? Que curso terão que escolher, “Que parceiro?”, se até agora o pai e a mãe bastaram? Eram suas referências, bússola que os orientavam no mundo...  

Deparam-se muitas vezes com pais que também sofrem (cada um com o que lhe cabe) que ficam aflitos diante de inúmeras mudanças dos filhos. E muitos adolescentes se perdem nessa "passagem para a vida adulta", pois se recusam a abandonar o mundo das "fadas e dos príncipes encantados"...ou das "certezas e escolhas dos pais".
Muitos pais que ainda tem um de seus "pés" na própria adolescência e assim, não suportam ver que seus filhos não são mais crianças, “menino ou menina”, e como conseqüência, podem fazer suas próprias escolhas. 

Mas, não se trata de culpá-los e sim ajudá-los..., pois muitas vezes os próprios pais estão "perdidos".


Uma adolescente me disse que mudou muito depois de um ano de análise, "não se fere mais", isso significa que não precisa mais "cortar-se", arrancar seus cabelos, drogar-se ou gostar de quem não gosta dela....Quando digo "não precisa mais" é porque esse ato era necessário para ela,  para suportar viver. 

Então, mais uma vez, não se trata de culpar quando um jovem tem um comportamento como esse e sim dar lugar para que ele fale sobre suas dores e sofrimento. Para essa paciente foi necessário um tempo para que falasse do "não sentido", do "sem sentido de sua vida", de suas dúvidas, para que pudesse encontrar uma outra forma de estar no mundo, com menos dores...
Seus interesses atuais são: estar com o namorado, com seus amigos e passar na universidade, pois agora sabe o que quer. 

É falando de suas dores de crescimento, que os adolescentes podem fazer o luto do corpo infantil que "perderam", do lugar que ocupavam e da imagem que tinham de seus pais. E assim, podem investir em experiências que lhe tragam bem-estar em vez de experiência que os aproximam da destruição e da morte....


Na infância eles eram orientados pela "certeza" do desejo de seus pais, que determinavam o que tinham que fazer, na adolescência "perdem" essa "bússola" e atravessam um "mar" de dúvidas e sofrimentos e na análise podem falar e se escutarem e assim se orientar pelo seu desejo.


Andreneide Dantas   
04/01/12

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