YES Blog da Escuta: Janeiro 2016

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Palavras - alimento para constituição subjetiva do sujeito


O filhote do homem, o pequeno infans, o bebê, é um ser totalmente indefeso que necessita - quando nasce - de um Outro que satisfaça suas necessidades alimentícias e de asseios.

Isso acontece porque diferente das outras espécies, o bebê é sempre prematuro, não consegue buscar seu alimento, por isso precisa de um outro, no caso a mãe - ou quem vá a esse lugar - para cumprir essa função.

Porém, o ser humano não precisa somente de alimentação e cuidados básicos para se desenvolver, ele necessita também de palavras. E esse alimento vai depender da relação entre sua mãe e ele. Pois quando ele emite um grito ou o choro, ela interpretará e lhe devolverá como um sinal de: “é choro de fome”; “é choro de frio”, etc.

Através das palavras que a mãe emitir, o bebê receberá o alimento que transformará seu pequeno corpo biológico em um corpo simbólico, banhado pela linguagem.

E todo o desenvolvimento psico-físico-motor estará relacionado com essa fase de vida, que responde ao desejo inconsciente da mãe: quando vai deixar de mamar, deixar de usar fraldas, andar, falar... (com exceção, quando existem problemas orgânicos que a criança possa trazer ao nascer).

Portanto, o bebê necessita da mãe para satisfazer suas necessidades biológicas, para sua sobrevivência e para a constituição subjetiva enquanto sujeito.

As palavras não são somente palavras, elas são significantes que "transportam", transmitem tanto o amor, quanto o ódio e fazem inscrição no corpo do bebê deixando marcas.

Andreneide Dantas (12/01/16)


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