YES Blog da Escuta: Março 2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

Adoção


Todo filho precisa ser adotado




Para que uma criança cresça e se desenvolva de forma sadia, necessita de um Outro que se ocupe em cuidar dela. Pois ela é sempre prematura ao nascer se comparada à outras espécies, que conseguem se virar sozinhos quando vem ao mundo.  O filhote humano é um ser indefeso, que não tem recursos suficientes para satisfazer suas necessidades vitais e para se constituir como um ser falante.

Por conta disso, será por meio da relação com esse Outro – que ocupará a função de mãe ou de pai - no carinho, nos cuidados e principalmente nas palavras de amor, que ele poderá se desenvolver subjetivamente.
Pois o ‘ser humano é psiquicamente um ser de filiação linguística, portanto, de adoção”.

Para que uma criança nasça é preciso que tenha sido desejada (mesmo que a mulher que o gerou não o saiba, que seja inconsciente) e em relação a um filho que foi adotado ‘os pais não podem negar que ele é um filho procurado e longamente desejado por eles antes da sociedade os ter contentado”. Como nos disse Dolto.

Uma vez desejada e efetivada a adoção, uma dúvida frequente dos pais é quanto a importância de que o filho conheça sua história, sobre as condições de seu nascimento. Podemos afirmar que é fundamental que ele saiba, pois todo sujeito tem o direito de saber sobre sua origem.  As crianças apresentam cedo essa curiosidade: como nasceram, de onde vieram e como foram concebidas. Para dar conta dessas interrogações fazem confabulações para lidar com esse “não saber”.

Diferente do que muitos pais acreditam, elas têm condições de suportar a verdade, e eles precisam ter condições de dizê-la! É melhor saber a verdade e encontrar, com a ajuda dos pais, condições para elaborar o sabido, do que viver sob o peso de um segredo que pode atrapalhar sua existência.

O mais importante é o amor desses pais - independente se o filho foi gerado ou não por eles - para que haja a constituição deste e depois a ‘resolução do édipo do filho’, que vai consistir em ele assumir a sua identidade, renunciando à identificação com o objeto de prazer e de desejo de cada um dos pais tutelado.


Um homem e uma mulher quando se tornam pais, ressignificam o lugar de filhos que eles têm junto aos seus próprios pais. E os sentimentos deles enquanto filhos, são vividos da mesma maneira, independendo se o filho foi ou não gerado por eles.

#adoção #amor #filhos #pais # linguagem
Andreneide Dantas (31/03/16)

Artigo completo no site da Escuta Analitica http://escutaanalitica.com.br/?p=631

quinta-feira, 24 de março de 2016

Doenças Psicossomáticas




Quando o sujeito cala, o corpo 'fala!"


A que responde as 'doenças' e os sofrimentos corporais?



#doençaspsicossomaticas #somática #psicologia #psicanalise #depressão

segunda-feira, 7 de março de 2016

Atendimento psicanalítico a crianças


(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)

Atendimento Psicanalítico a Crianças 


Quando atendemos crianças, primeiro recebemos os pais para escutarmos qual é a queixa e descobrir de onde provém a demanda: se do médico, da escola ou dos próprios pais.
É mais comum que a indicação seja da escola, pois um professor atento, percebe quando "algo" não está bem no desenvolvimento educacional daquele aluno: que pode apresentar dificuldades de aprendizagem; problema em se inserir ou permanecer em grupo; apresentar comportamento de agressividade ou isolamento, etc.

Quando a indicação vem através do médico - geralmente pediatra - é porque a criança apresenta doenças repetitivas; se encontram constantemente com “viroses”; tem dificuldades na alimentação; se encontram abaixo ou acima do “peso”, ou quando percebem que a criança é "indisciplinada".

O tratamento é indicado sempre que houver sofrimento.

Pois o corpo é afetado por tudo que sentimos, desde os sentimentos bons até os ruins. Uma vez que as palavras, tanto tem o poder de aliviar um sofrimento, quanto deixar cicatrizes profundas que podem obstaculizar o desenvolvimento do ser humano. “Uma inibição em uma criança pode ir ao ponto de bloquear os seus funcionamentos vitais e de crescimento”. (Françoise Dolto, psicanalista francesa).

Escutamos os pacientes, mesmo que eles sejam tão novos. Falamos com eles, que podem também desenhar, jogar, encenar... e através dessas formas de expressão colocam em cenas, situações de sofrimento ou até de equívocos em relação ao que escutaram, não compreenderam e fantasiaram, e assim podem desfazer equivalências sintomáticas.

A criança fala sobre o que lhe acontece: o que ouviram dos pais, professores, na TV, nos jogos de computador, dos amigos, etc. Quando os pais são separados é muito importante que a criança fale da angústia que sente, da culpa que carrega por acreditar que é o responsável. E não é incomum, que os assuntos mal resolvidos entre o ex-casal, afete a vida do filho.

Tudo o que acontece na vida de um ser humano desde antes dele nascer, é importante e deixa marcas nesse pequeno ser em desenvolvimento, que podem gerar angústias e afetar o desenvolvimento psíquico dele. Acarretando problemas de simbolização, na sua relação com a realidade, pois o afeto que não é expressado em palavras e elaborado, pode perturbar somaticamente um sujeito.

Isso significa que o fato de uma criança ser filha de pais separados terá mais problemas que outras?

Não necessariamente, pois vai depender dos adultos que se ocupam da criança para que ela possa simbolizar o fato de não ter pais morando juntos. Nós somos seres linguísticos, lembrando mais uma vez Françoise Dolto, e a herança mais importante é a transmitida pelo discurso e comportamento dos pais. Percebemos isso, quando vemos os “padrões de comportamento’ que são repetidos de geração a geração, através do automatismo de repetição inconsciente.


A psicanálise, liberta as crianças daquilo que elas ouviram e deixou marcas nocivas, é um lugar onde podem falar sobre o que sentem, em vez de apresentar no seu corpo o que sofrem.

Andreneide Dantas (07/03/16)
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