YES Blog da Escuta: Março 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

Deixem seus filhos crescerem.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)          







































Deixem seus filhos crescerem


Alguns pais se queixam de que seus filhos são infantis, imaturos e irresponsáveis. Que não estudam, não cuidam de seus pertences, de seus horários ou não trabalham. Dizem que “não aguentam mais” levá-los de um lado para outro, como se fossem seus “motoristas”.

Nos procuram para atender a seus filhos, pois acreditam que eles estão com problemas graves. É verdade que esses filhos estão com problemas, mas também é verdade que esses pais não escapam disso. Pois acrescido ao fato de que sofrem as consequências desses comportamentos, também, na maioria das vezes, o comportamento dos filhos é decorrente do comportamento deles. 

Eles reclamam, se queixam, porém de alguma forma continuam fazendo com que essas atitudes se repitam, ou acreditam não poder fazer nada para mudar ou ainda quando continuam “mimando” esses filhos.

Uma mulher se queixou de sua filha de 24 anos, dizendo que ela já começou a fazer três cursos e interrompeu “porque não gostou”; uma outra falou que a sua saiu do trabalho porque “não gostava do chefe”. Nos dois casos, as jovens tinham interrompido o que estavam fazendo porque não suportaram as frustrações, pois ao menor sinal de uma contrariação, abandonaram o que estavam fazendo. 

Quando escutamos essas mulheres que são mães, fica evidente que por “trás” dessas queixas, reside um comportamento que de alguma forma, contribui para que seus filhos façam assim. Pois, se com uma palavra dizem para eles crescerem, com um comportamento deixam claro que querem que eles permaneçam crianças. Algumas vezes, chegam ao cúmulo de chamarem seus filhos de “crianças ou de bebês”. Recusando-se a aceitar que os filhos cresceram. Para exemplificar: uma mãe estava na entrevista se queixando que seu filho de 6 anos faz “xixi na cama”, portanto , tem enurese noturna. Enquanto falava, deixou escapar que por “conta disso” coloca fralda nele quando ele vai dormir. 

Questionei essa atitude, e ela me disse que faz isso para que seu filho não fique “molhado” e “incomodado” e para que possa ter uma noite de sono tranquila. Falei para ela que dessa forma ficava difícil que ele mudasse seu comportamento, pois se ele não se incomodar porque mudaria tal fato? Sem perceber essa mulher "demandava" que o filho continuasse fazendo “xixi na cama”. Isso significa que quando ela colocava a fralda nele, a mensagem que transmitia era: “pode fazer xixi na cama”

Vemos com isso, que ele tinha poucas chances de fazer o contrário. Portanto, para que os filhos cresçam saudavelmente é importante que os pais permitam. E quando eles não estão permitindo é porque existem “entraves” que os impedem, e que são inconscientes. Possivelmente, algo associado a história pessoal e inconsciente de cada um. 

A escuta dessas queixas é importante, para que cada pai e mãe, descubra os “entraves” que funcionam como “amarras invisíveis” que impedem seus filhos de crescerem normalmente. Não é por falta de amor que fazem isso, geralmente é por um excesso de cuidados. 

#crescerem #filhos #xixinacama #enurese #mãeefilho #inconsciente

 Andreneide Dantas  (20/03/12)

quinta-feira, 1 de março de 2012

Escutamos o sujeito que sofre.



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   (Imagem retirada da Internet para fins ilustrativos)

Escutamos o sujeito que sofre

Quando atendemos uma pessoa que nos procura, não atendemos um sintoma, uma doença ou uma síndrome. Atendemos um sujeito que pede auxílio ou socorro para aliviar seu sofrimento.

Entendemos com isso, que mais importante que a doença que esse sujeito tenha ou um diagnóstico que ele tenha recebido (hoje em dia existe uma proliferação), é o fato de que esse mal-estar ou sintoma (por mais grave que seja) sempre significa "algo" para ele, mesmo que seja na forma de enigma.

E à medida que vamos investigando, descobrimos que existiram muitos acontecimentos anteriores a ’crise’, que não foram levados em consideração, pois na maioria das vezes foram vistos como algo que “passaria” ou que o tempo resolveria. Até que chega um dia que aquilo que foi jogado para "debaixo do tapete", toma uma proporção tão grande, que fica impossível de ser ignorado. Pois existem situações e sintomas que em vez de serem melhorados com o passar do tempo, são potencializados.

Nesse momentos é quando tem lugar: uma crise de angústia forte, que pode desencadear uma síndrome do pânico, uma depressão, desorientação em relação ao que fazer, inibições, impedimentos que paralisam a vida escolar ou profissional, ou obstáculos em relação as escolhas amorosas... Podem também desencadear doenças "letais", comportamentos de riscos ou problemas com drogas...

Quando conseguem buscar ajuda e empreendem uma análise, esses sujeitos se surpreendem quando descobrem que aquilo que eles falam cotidianamente, tem relação com o seu sofrimento. Que quando escolhem dizer uma palavra e não uma outra, sofrem os efeitos dela no seu corpo. Isso é assim, porque o significante (a palavra) que eles enunciam tem efeito em seu corpo e comportamento, assim como teve e tem, as palavras que ouviu do Outro que o cuidou (mãe), e marcou seu desenvolvimento.

Dessa forma, fazendo-se responsável pelo que diz, o sujeito sofredor pode falar de seu corpo adoecido, suas tristezas, desorientações, podem produzir novos significantes, fazer associações entre uma dor física e um sofrimento que causou dor, e que antes foi ignorada. Desta forma poderão curar as feridas causadas por um gozo que destrói o corpo...

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Andreneide Dantas (01/03/12)