YES Blog da Escuta: Março 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

Entrevista Vídeo - Psicanálise com crianças




Psicanálise com Crianças




Entrevista com a Psicanalista Andreneide Dantas, sobre Psicanálise com crianças.
(18/03/14)


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quarta-feira, 12 de março de 2014

Psicanálise com crianças - Entrevista (Parte 1)

Psicanálise com Crianças






















1.Quando uma criança precisa de atendimento psicanalítico?
Quando apresenta alguma dificuldade que atrapalha seu desenvolvimento. Dificuldades que os pais, a escola ou o médico podem detectar. Por exemplo, quando tem alguma doença recorrente, ansiedade acima do normal, medos exagerados. Enfim, quando tem algum sintoma que as fazem sofrer, é preciso que as crianças possam falar com um psicanalista para que através da palavra possam revelar o que não está bem com seu corpo e em suas relações com os outros. Pois as palavras tem o poder tanto de desorganizar um corpo quanto reorganizá-lo.

2.Á partir de qual idade é possível fazer o tratamento?
Atendo pacientes desde a idade de três anos, mas existem trabalhos feitos desde o berçário, com os recém-nascidos que apresentam alguma doença ou sintomas e por conta disso não respondem bem ao tratamento médico. Nesse sentido (com bebês) o psicanalista faz intervenções com a criança, falando com ela, sua mãe e equipe médica.

3.Em que se baseia o tratamento psicanalítico?
Em escutar o paciente, mesmo que esse tenha pouca idade, pois, por estarmos inseridos na linguagem, tanto podemos ser aprisionados pela palavra quanto libertados. O trabalho da psicanálise se baseia em escutar o que os outros discursos deixam de fora e que pertence ao inconsciente: os sonhos, os atos falhos, os esquecimentos e os sintomas.
Com crianças utilizamos a fala, escutando o que nos dizem sobre sua vida, sua relação com os semelhantes e também utilizamos jogos, desenhos e brinquedos, que vão servir como motor para que a criança possa através deles encenar e falar de outros acontecimentos, de outras cenas acontecidas em sua vida e que de alguma forma lhes provocaram sofrimentos ou interpretações equivocadas.
Através do brincar a criança coloca no simbólico algum real ameaçador, algo que foi vivido e não foi simbolizado. Dessa forma expressam o que está no seu inconsciente.  Temos o exemplo de uma criança, que tendo uma determinada doença, é levada ao médico e “toma uma injeção”. Na análise ela encena que é a médica e ela é quem aplica a injeção. Assim, ela vive ativamente o que outrora viveu passivamente. E isso lhe possibilitará elaborar o acontecido para que isso não resulte em traumas.  A criança também pode falar sobre seus pais, seus amigos, irmãos, trabalhar os sentimentos de ciúmes, inveja, raiva. Enfim, falar sobre o que sente e que em outros lugares ela não tem a chance de ser escutada.


Andreneide Dantas

sexta-feira, 7 de março de 2014

Filhos não podem mandar nos pais.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)



Filhos não podem mandar nos pais

Parece óbvia essa frase, mas não para muitos pais, que governados por sentimento de culpa ou medo, não se autorizam a ocupar o lugar que lhes pertencem: lugar de mãe e pai, portanto, daqueles que são detentores das leis e portadores das regras.

São eles que tem a obrigação de educar e ensinar aos filhos o que eles podem ou não fazer!

Os que, equivocadamente não assumem essa função, ou porque viveram sob o jugo do autoritarismo dos seus pais e afrouxam os limites e se tornam permissivos; ou porque estão desgovernados pela liberalização dos costumes – e acreditam que tem que ser amigo dos filhos - provocam estragos na constituição subjetiva dos mesmos. Estragos que deixam marcas profundas e afetam-nos no físico, psíquico e consequentemente nas relações sociais. O que vemos proliferar nas escolas.

As crianças, necessitam que os adultos que as cercam (principalmente seus pais) ensine-as a civilizarem suas pulsões e vontades desmedidas. Por isso, é imprescindível que aprendam - desde a mais tenra infância - que não podem fazer tudo o que desejam. Mas, somente assimilarão essa regra fundamental, se estiverem amparados por adultos que se encarreguem de transmiti-la. Isso significa que para esse adulto essa regra também tem que valer.

Os filhos precisam de limites e se não receberem desde cedo, invertem a ordem familiar e passam eles a comandar sua casa e seus pais. Não raro, vemos acontecer no consultório, a cena de uma criança pequena que se sentindo “contrariada” em seus desejos, grita e até bate no rosto da mãe. E não é incomum, que esta sorria e "peça" para que ele pare. O sorriso escancara o que estava velado - quem manda é o filho. Esse recorte mostra o quanto equivocada está essa família.

Existe uma hierarquia na família e é fundamental que essa verticalidade prevaleça, pois se não for assim, todos os membros da família ficarão na mesma posição. Sem regras, sem hierarquia e sem leis... Quem avançará será a pulsão de morte!

Encontramos nas famílias chamadas pós-modernas, uma ausência dessa assimetria, onde os pais colocam-se como amigos ou irmãos de seus filhos e esse fato provoca danos na formação e desenvolvimento desses sujeitos. São os pais que tem o encargo de intervir quando necessário e como irmãos ou amigos não terão autoridade para tal.


O “não!” é fundamental para a constituição do ser humano e quando ele falta, o que predominará será o imperativo da pulsão destrutiva: a falta de respeito, de responsabilidade, agressividade e violência.  Que se apresenta das mais diversas formas nas famílias: filhos ordenando aos pais a realizarem suas vontades (por mais descabidas que sejam) e em casos mais extremos agredindo-os, batendo e até... matando-os!

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Andreneide Dantas  (07/03/14)