YES Blog da Escuta

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


O trabalho sobre a angústia que Lacan empreendeu em seu seminário X, a coloca em sintonia com o gozo.
Dizendo que por trás da angústia encontramos a pulsão que quer, por que quer, se satisfazer. Quer se satisfazer como vontade de gozo.
Ela é sinal do real. 
Primeiramente ele tinha formulado a angústia como signo do desejo do Outro e depois ela é sinal do real. Nos diz , 'a angústia, portanto, é um tempo intermediário ante o gozo e o desejo, uma vez que é depois de superada a angústia , e é fundamentado no tempo da angústia, que o desejo se constitui. 
Aqui estamos falando da angústia como sinal, aquilo que inquieta, nos faz questionar, pensar, nos tira da 'zona de conforto' do imobilismo....a angústia produtiva.
Não é a angústia desenfreada, que causa transtornos e atrapalha a vida do sujeito a ponto de desregular suas funções, provocando taquicardia, sudorese, sensação de 'pânico' como nos relata os analisandos.
Essa angústia aparece quando falta a falta. Quando o sujeito não conta com seus recursos psíquicos pra lidar com uma situação.
Quando só resta pra ele contar com seu corpo!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019




Freud afirmou em 'O eu e o isso' que o declínio do Complexo de Édipo é resultado de uma interiorização da interdição paterna. Desta forma, a criança adquire uma consciência moral, em outras palavras, existe a dominação do Supereu sobre o Eu do sujeito.
É muito importante que isso aconteça pra que funcione para o sujeito uma lei interna que ponha 'freios' em sua pulsão destrutiva.
Ele também observou, que em alguns sujeitos, principalmente pacientes obsessivos, esse Supereu pode ser muito severo. Podendo se tornar hipermoral e às vezes tão cruel quanto só o isso pode ser.
Essas são as duas faces do supereu. É importante que cada um o tenha, pra funcionar como um limite, mas se for muito excessivo ele também pode ser o responsável por tornar a vida do sujeito insuportável. Trazendo muita culpa. Ditando 'regras' de que ele não pode isso, ou não pode aquilo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018


Somos afetados em nosso corpo pela fala do Outro (desde quando bebê, afetados pela fala da mãe).
O bebê grita e a mãe interpreta esse grito: é frio, sede, fome....A satisfação de uma dessas necessidades geralmente é acompanhada de uma palavra.
A palavra marca o corpo desse pequeno .
A criança e depois o adulto é afetado pela fala do outro, pelo que diz e também pelos pensamentos.
Em análise, o paciente acessa o discurso inconsciente, descobre que seus pensamentos podem provocar anestesia, excitação, tristezas e também ansiedade.
E essa ultima, é uma das moedas correntes

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018


Excelente livro da psicanalista Colette Soller.

É isso mesmo o que uma análise possibilita. No início do tratamento, o analisando descobre que sua fala tem implicação em sua vida. 
Que as palavras que enuncia diz mais do que ele tinha intenção...
O que ele escutou de seus pais e de sua família marcaram seu corpo e de alguma forma determinaram suas escolhas. Mesmo que isso tenha sido feito sem ele ter tido consciência.
Desde o começo da análise são feito várias descobertas, e a vida do analisando vai ficando mais interessante. 
Ele produz novos significantes.
Pois ela -análise-- possibilita  que ele desfaça algumas equivalências sintomáticas que o impediam de agir.
Pois não basta acessar o material inconsciente, precisa descobrir o que repete em sua conduta que o adoece e atrapalha!
Descobre qual é seu gozo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018


Aprendemos com Freud, que no inconsciente não existe: o reconhecimento da passagem do tempo, da ironia, da contradição, da diferença sexual, da ideia da morte do sujeito..... Na releitura que Lacan fez da obra de Freud, formulou que o inconsciente é estruturado como uma linguagem.
Como uma linguagem, significa que ele aparece através das suas formações: lapsos, esquecimentos, sonhos, chistes, lembranças e sintomas. 
O conteúdo do inconsciente refere-se tanto as pulsões e desejos, como as manifestações linguísticas.
Na análise, o analista com seu ato, dá existência ao inconsciente. Possibilita que o analisando escute verdadeiramente o que diz. Ele aprende que as palavras não são somente palavras, são significantes! 
E que o inconsciente é uma cadeia de significantes que se repete...
E que seu mundo, sua vida, é organizado pelo que ele diz. E se ele não escutar esse discurso singular, que é do inconsciente, vai continuar se atrapalhando, gozando, adoecendo....pois o inconsciente parasita o corpo.

terça-feira, 27 de novembro de 2018



Mais uma vez cito o trabalho de Suzanne 0'Sullivan no livro 'Isso é coisa da sua cabeça '.. Nele, ela fez um trabalho muito interessante, inclusive citando o estudo que a OMS promoveu sobre o quanto as doenças chamadas de Psicossomáticas acometem os pacientes.
Nesse estudo foi detectado também, que as doenças que não tinha explicação orgânica, afetavam aos pacientes indiscriminadamente, independe se o país era desenvolvido ou em desenvolvimento.
Isso nos diz muito, pois é uma prova cabal, de que os pacientes são afetados em seu corpo pelo fato de serem falantes e terem um inconsciente!
Infelizmente, em nosso país ainda existe muita resistência em aceitar esses fatos. Por conta disso, os pacientes podem ficar anos procurando uma causa orgânica para seu sofrimento, vivendo com muita dificuldade, quando poderiam estar falando em análise e descobrindo a causa de seu mal-estar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018


O trabalho da neurologista comprovou o que Freud tinha descoberto nos idos de 1900 : que uma dor psíquica é capaz de afetar ao corpo, abrindo feridas, causadores dores de cabeça, enxaquecas, dores no peito, alterando um órgão...fazendo, inclusive, uma alteração celular.
Pois os sentimentos, as emoções, as palavras, fantasias e sofrimentos, afetam diretamente o corpo do vivente.
Infelizmente, o rechaço do inconsciente ainda é muito grande, por isso gastam-se milhões no serviço público com pacientes que buscam socorro médico em hospitais ou consultórios, quando na verdade eles teriam que falar em uma análise sobre o que sentem: seus sintomas, suas inibições e suas angústias.
O preconceito em reconhecer que tem um inconsciente e que ele afeta ao sujeito, gera mais sofrimento e perda de tempo. 
Nesse estudo, O'Sullivan também destacou a dificuldade que os pacientes tem de descobrirem que não existe causa física para seus sintomas, e a dificuldade dos médicos de dar esse diagnóstico, pois muitos pacientes reagem com violência ou desacreditando o médico.
Andreneide Dantas