YES Blog da Escuta: Novembro 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Você tem fome de quê?

(imagem retirada da internet para fins de ilustração)



Você tem fome de quê?


Parafraseando a música do grupo Titãs, pergunto: quando você vai comer “Você tem fome de quê?

Será que é somente para saciar a fome que come, ou é para satisfazer outra “necessidade”, um outro vazio, que não o do estômago?

A relação que cada pessoa tem com seu corpo, nem sempre é prazerosa ou fácil de entender, pois ele é afetado pela linguagem. Isso equivale a dizer, que o corpo  é simbolizado pela palavra e olhar do outro (da mãe ou de quem cuidou), isso faz com que ele deixe de ser puramente orgânico e passe a ser um corpo simbólico, afetado pelas emoções, palavras e sentimentos.

Assim como o corpo, a comida também está ligada ao afeto desde os primórdios da vida. O leite é o primeiro alimento que o bebê recebe quando nasce, e nesse momento será estabelecida uma relação com a mãe (seu primeiro Outro).
 
E não é sempre uma relação permeada por sentimentos bons, pois algumas vezes, o que prevalecem são sentimentos de rejeição.

Aqui já reconhecemos que existe desde a mais tenra idade uma associação entre comida e afeto. O que significa que a comida perde o estatuto de necessidade e estará relacionada ás demandas e ao amor.

Na atualidade, muitos indivíduos estabelecem com a comida uma relação compulsiva, e isso faz com que comam vorazmente. Á ponto de nem sentirem o gosto e o prazer em relação ao que estão ingerindo. É o que dizem muitos pacientes que estão “acima do peso”.

Dessa forma, não comem apenas para satisfazer ou saciar a fome, que é uma necessidade vital. Se fosse assim, não encontraríamos tantos transtornos alimentares, incluindo a obesidade, que já se tornou no mundo um problema grave, responsável por várias doenças que incapacitam e até matam.

Dito isso, as pessoas comem quando estão com fome, felizes, tristes, ansiosos, solitários, etc.  Podem comer para celebrar junto com amigos e familiares, ou usar a comida como remédio ou droga que serve para aliviar ou anestesiar a angústia. E assim, ela entrará em uma série de objetos consumidos para preencher o corpo, que é tratado como um "tubo" ou um "saco" a ser preenchido e anestesiado. E aqui, não existe lugar para o limite, para a castração, que é o que nos torna humanos!

Da próxima vez que for comer, que tal se perguntar: Do que tem fome? Que vazio intenta preencher?     


#fome #gula #obesidade #transtornoalimentar #corpo #fomedeque? #comidaeafeto 

Andreneide Dantas    (29/11/13)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Concluímos no último dia 7/11/ o ciclo de palestras intitulada acima. Ao longo de 2013 um grupo de psicanalistas do Instituto Tempos Modernos, realizou uma reflexão e um debate a respeito das patologias que assolam aos sujeitos em nossa sociedade.

Essas patologias éticas são as respostas sintomáticas que cada sujeito encontrou para demonstrar como é afetado em seu cotidiano pelas transformações tanto tecnológicas quanto científicas; pela queda da autoridade paterna; pela perda de referências simbólicas e a inversão de valores, onde se propaga que o mais importante é o ter em vez do ser.  

Somado a essas mudanças globalizadas, temos a história particular de cada um que tem relação com sua história familiar, suas crenças, suas interpretações e seus gozos, enfim aquilo que constitui sua subjetividade.
Por sermos falantes somos afetados pelo que dizemos, pelo que ouvimos e pelo que calamos. Temos um inconsciente do qual um corpo goza. Isso significa que o corpo é afetado pelo dizer, com inibições, sintomas e angústias. E como resultado poderá desencadear muitos sofrimentos e doenças graves, que muitas vezes desconcerta à medicina.

Todo sofrimento traz o selo da marca da história subjetiva de cada um, e sendo assim, não será com drogas licitas ou ilícitas que o sujeito conseguirá a cura para esses males existenciais, pois enquanto houver o rechaço do propriamente humano não será possível que se responsabilize pelo que lhe acontece. Portanto, será manipulado como uma marionete por seu inconsciente.

Os trabalhos apresentados foram sobre: As Depressões, O Pânico, As Violências, Problemáticas Escolares, A Solidão e por fim, os Tóxicos e Manias.



E para aqueles que não puderam comparecer e ou quiserem rever os conceitos abordados, poderão a partir de dezembro conferir os vídeos no site www.escutaanalitica.com.br  e youtube.com/escutaanalitica1.