YES Blog da Escuta: Novembro 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Brincar é estruturante


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Brincar é  estruturante

As ocupações preferidas das crianças são as brincadeiras e os jogos, já nos dizia Freud em 1907.
É através do brincar ou das brincadeiras que elas exploram o mundo e também podem se “apropriarem” da realidade e dessa forma transformá-la.

Enquanto brinca a criança se diverte, aprende, se desenvolve orgânico e psiquicamente. Primeiro brinca com sua mãe (quando esta brinca com ela), e nesse momento existe “um playground” entre os dois, como bem situou Winnicott, depois ela brinca com seu corpo e posteriormente com seus colegas de jogos.

Também é através dos jogos e brincadeiras que as crianças mostram seu desejo de crescer. Não é por acaso, que brincam de serem adultos (fingem que são os pais, os professores, etc.).

A criança é um sujeito em constituição e ela se desenvolve através da mediação com o Outro, e o brincar é um meio. Pois através dele, ela imagina, cria de acordo com seu mundo interno, de acordo com suas fantasias, seus medos e desejos.

Ela se comunica e nos transmite uma mensagem, simboliza o mundo real e isso é fundamental para o desenvolvimento de sua subjetividade, pois ela pode viver ativamente aquilo que outrora viveu passivamente. Por exemplo: quando elas levam uma bronca ou quando tem que tomar uma injeção, brincam, encenam que são elas as que estão na posição ativa e dão bronca ou tratam e cuidam de seus bonecos, como se elas fossem os adultos.

Nesse momento elas passam de uma posição de assujeitamento para uma posição de sujeito da ação. Aqui elas experimentam serem as detentoras da situação em vez de estarem assujeitadas ao outro.

Na análise vemos claramente isso acontecer, quando a criança nos mostra, nos ‘dizem’ com o jogo ou a brincadeira aquilo que a está angustiando, seus medos, seus fantasmas e assim, podem simbolizar algo que viveu ou está vivendo e está sendo difícil.

Através do brincar ela se distancia de um real angustiante ou até aterrorizante, e quando faz isso, se alivia. Quando encena jogo com monstros, guerras, luta do bem contra o mal, ela representa suas pulsões destrutivas em vez de bater, brigar, machucar o outro, ou se machucar.

É a forma com a qual ela pode ‘dominar’ uma realidade ruim.

O brincar é tão importante que o sujeito não o abandona, apenas o substitui. Quando cresce, “brinca” com suas fantasias, lembrando mais uma vez os ensinamentos freudianos.

E quando o brincar não é possível por conta dos acúmulos de tarefas ou horas paradas diante da TV ou de jogos eletrônicos, temos um problema. Pois a criança perderá a oportunidade de elaborar um real angustiante ou ameaçador e ficará muito tempo na posição passiva diante do Outro. Quer seja: adultos, TV, qualquer outro que a impossibilite de exercitar, de criar e transformar algo.

Perguntaram para uma criança porque era tão importante para ela brincar. “Porque quando a gente não pode fazer alguma coisa, a gente brinca que pode “.

E quando elas não podem colocar em palavras ou nas brincadeiras e jogos, aquilo que querem ou sentem, mostram esse mal-estar no corpo através das doenças, inibições e sintomas.

Andreneide Dantas (26/11/15)

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