YES Blog da Escuta: Julho 2012

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O que eu sinto afeta meu corpo?



O que eu sinto afeta meu corpo?


É de fundamental importância que cada sujeito reconheça que tem um corpo e que esse responde aos seus pensamentos, sentimentos e ao seu discurso.

Não é pouco o número de pessoas que sofrem de muitos males orgânicos, e desperdiçam muito tempo procurando as causas em algum mal funcionamento de seu organismo ou na genética.

Atendi um paciente que tinha procurado mais de cinco especialistas para encontrar a possível causa de seu mal-estar. Na relação de especialistas consultou-se com: cardiologista, endocrinologista, ortopedista, neurologista e gastroenterologista.  Sua queixa: sentia muitas dores pelo corpo: arritmias, dores no peito, enjoos, dores nas costas, dores de cabeça, etc. Em alguns momentos acreditou que iria ter um "ataque cardíaco"...

Como de costume, os médicos indicaram exames específicos a cada especialidade e por fim, um indicou o tratamento psicológico, já que seus exames não "comprovaram" nenhuma disfunção orgânica.

O paciente relutou muito, pois “não podia acreditar” que não tinha uma causa orgânica para seus males, já que eram no físico que ele sentia todo o sofrimento.  Disse-me: ”Como posso ser o responsável pelo que sinto em meu corpo?”; “Como posso ter provocado tudo isso?”;  “Tenho todo esse poder?”.

Os ditos acima sinalizam, que existe um enorme desconhecimento (da grande maioria) do quanto os ditos e os não ditos afetam a vida e a existência. Que surpresa interessante esse homem teve, quando descobriu que sua fala e seu comportamento afetava seu corpo, que estava naquele momento “enlouquecido” pela forma como ele estava escolhendo viver: trabalhava 16 horas por dia, não se permitia ter prazeres, descansar ou tirar férias. Encarava o que fazia como uma obrigação diária comparável ao que seu avô e seu pai tinham feito. Dizia: “Não sei fazer de outra forma, sempre os vi fazendo desse jeito”. Aqui encontramos uma identificação dele com pai e avô.

Na verdade, ele descobriu que podia sim fazer diferente, finalmente se deu conta de que seu corpo tinha limites (embora seu gozo estava em excesso, sem medida) e que era importante que ele respeitasse. E a forma como descobriu isso, foi se dando conta de que ele não era o seu corpo, ao contrário disso, ele tinha um corpo, e este estava afetado por seu discurso e também por seu inconsciente.

Pois aquilo que não é dito se manifesta no corpo..


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Andreneide Dantas (23/07/12)