YES Blog da Escuta: Janeiro 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Por que nosso filho tem problemas?

(Imagem: Shutterstock)

                                       

Porque nosso filho tem problemas?                                                       

Essa pergunta faz parte das preocupações e provoca agonia e sofrimento, em muitos pais que nos procuram na clínica psicanalítica. E nos demandam ajuda para entenderem e resolverem o que não está bem com seus filhos. Também é tema de um livro interessante da psicanalista Anny Cordié.

Os pais angustiados e muitas vezes desconcertados, não entendem o porquê dos filhos não aprenderem a falar no tempo esperado, andar quando tem a maturidade para tal, socializarem quando tem estímulos e oportunidades e não terem um bom desempenho na escola, uma vez que eles (os pais) oferecem o melhor!

Essas famílias muitas vezes chegam feridas narcisicamente, porque seus rebentos tem atrasos no desenvolvimento. Sabemos que isso não é fácil pra nenhuma família. 

O fato de aceitarem que os filhos tem algum problema é fundamental, para que possam buscar ajuda!  

O que se passa com seus filhos? O que eles pensam, porque não falam? 

Muitos se surpreendem, quando dizemos e ressaltamos a importância do discurso no qual a criança está inserida. Investigamos como eles agem com os filhos, o que lhes dizem, como estão as "coisas" entre o casal.... Onde os filhos dormem...se tem horários para comer; com o que brincam, o que assistem...se são respeitados sua idade e preservados de alguns assuntos...  

Pois, o que os filhos ouvem desses pais, que lugar ocupam nessa família, quais são os sentimentos quer permeiam esse lar, como o casal se trata -  se o respeito prevalece ou não - são determinantes para o ritmo do desenvolvimento motor, intelectual e principalmente psíquico de toda criança.

Que relação existe entre o que eles (pais) fazem, com o fato dos filhos terem dificuldades? Nos perguntam alguns. Pois eles vieram para falar do filho e não deles...

O que esses pais aprendem é que as crianças são seres em formação - indefesos - e dependem totalmente deles enquanto Outro (mãe, pai) para serem cuidados. Que o olhar, a palavra, a atenção que será dirigida para o filho afetará seu desenvolvimento, para o melhor e para o pior (depende da qualidade desse investimento libidinal).

Pois é o Outro, que vai simbolizar o corpo da criança, fazendo com que seu corpo deixe de ser "puramente biológico" para se transformar em corpo simbólico, afetado pela fala.

Concluindo, a criança precisa do Outro para se constituir como um sujeito desejante, senão não passará de um corpo, que será alimentado, banhado e cuidado.

Portanto, o que os pais dizem e fazem, tem toda relação com a constituição subjetiva dos filhos.

                                                                                                                 
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Andreneide Dantas (28/01/15)