YES Blog da Escuta: Outubro 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pais devem falar a verdade

(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)
Pais devem falar a verdade

Se os pais querem ensinar aos filhos que é importante que falem a verdade, isso deve começar por eles. Pois sabemos que as crianças aprendem com o que escutam dos pais (depois com professores e outros que vão ao lugar de modelos) mas também aprende e principalmente, com o comportamento dos pais.

Logo, se eles praticam o exercício de falar com seus filhos, explicar o porquê do funcionamento das coisas, o que é fantasia e o que realidade, seus filhos aprenderão com isso e tenderão a fazer o mesmo.

Quando uma criança pergunta algo para a mãe que ela julga ser ‘demais’ ou ofensivo, esta, tem o dever de explicar para seu filho o quanto ele está equivocado e confuso. Mas, só poderá fazer isso, se antes escutar o que ele tem a dizer e perguntar porque está falando sobre aquele assunto. Um exemplo: Uma criança pergunta sobre sexo ou morte, os pais precisam responder aos filhos a verdade (respeitando o limite da idade dele) em vez de calar a boca deles. Pois se o fizerem, eles vão endereçar essas perguntas para outros, que podem ser adultos desestruturados ou até perversos.

Ao ouvir a resposta da boca dos pais, eles saberão da verdade e se aliviarão. Pois o "não saber", o equívoco, dá lugar para fantasias ruins e isso gera angústia e também sintomas.

As crianças são seres em formação, logo, elas aprendem com o que está a sua volta, sendo fundamental que possam confiar nos pais (ou em quem vai a esse lugar) que são os que têm a função de: amar, ensinar e proteger. E isso é imprescindível para o desenvolvimento psíquico sadio de um sujeito.

Uma palavra ou uma explicação pode aliviar a criança. Como: contar que vai trabalhar e volta no final do dia, mesmo que isso provoque tristeza e o filho chore, saberá que a mãe está se importando com ele e explicando o que vai fazer e quando retornará. Tem mãe que diz que vai sair e já volta, mentem, quando na verdade sabem que voltarão somente à noite. Ou o fato da criança perder o pai (morte) ou outro ente querido e a mãe não contar para seu filho por acreditar que ele não entenderia...

Está claro que essa é a dificuldade dela em lidar com a morte, e não do filho. Aliás à maioria dos adultos tem essa dificuldade: de aceitar que são mortais. Vale lembrar, com o que aprendemos com Freud, que no inconsciente não tem a representação da morte.

Mesmo a criança com pouca idade tem o direito de saber o que aconteceu com seu pai, pois ela sentirá sua falta. E é importante que não lhe tirem esse fato, que lhe permitam falar, chorar, ficar triste e falar da saudade que sente para poder fazer o luto dessa perda.

Quando isso não acontece, fica uma lacuna que pode ser preenchida com as mais "loucas" fantasias que podem depois, desencadear doenças. Lembro de uma paciente que "acreditava" ter sido abandonada pelo pai, quando na verdade ele tinha morrido. A história que lhe tinham contado é que ele "tinha ido embora...".

Se os pais querem filhos sadios psiquicamente têm que possibilitar isso, e falar a verdade e escutar o que eles têm a dizer, saber quais são suas dúvidas, será de grande valia.

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Andreneide Dantas  (26/10/15)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Desejo de ser mãe não é algo natural


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Desejo de ser mãe não é natural


A criança quando nasce vem ocupar o lugar de uma falta, se não fosse assim, não existiria lugar para ela.
Quando os pais têm desejo de ter um filho se empenham em realizá-lo. Outros, acreditam que querem, mas na verdade não existe lugar para esse desejo, então mesmo que se empenhem muito não conseguem engravidar. Falo aqui, de situações onde mesmo que organicamente as condições se apresentem favoráveis (não tenham nenhum problema orgânico nem com o homem nem com a mulher), ainda assim, não conseguem.

É importante diferenciar que muitas vezes as pessoas verbalizam que querem algo, mas isso não coincide com o verdadeiro desejo, que está no seu inconsciente. Isso significa que mesmo que digam que querem determinada situação, não a desejam.

No caso do nascimento de uma criança é fundamental que ela tenha sido desejada.

Desejada para que? Podemos perguntar.

Existem mulheres que podem ter um filho e doá-lo para uma outra – que pode ser sua própria mãe - mesmo que ela não tenha consciência disso. Que o entrega aos cuidados de outros: parentes, vizinhos, ou “a própria sorte”; que o dão para doação, ou em casos extremos o abandona na rua (como vimos acontecer essa semana em São Paulo, e foi noticiado na TV) ou em casos mais graves, jogam fora, como se fosse um objeto ou ainda, os matam.

E porque uma mulher engravida, tem um filho e faz algo tão terrível, como nos últimos casos?

Para responder, teríamos que analisar cada caso, (podemos em outro artigo falar mais a respeito), mas um fato importante a considerar é que o desejo não é algo natural.

Ele está em relação a uma falta.

Se o desejo fosse algo natural, toda mulher desejaria ter um filho. E também os homens, pois existem homens que não querem ser pais.

E o fato de uma mulher ou de um homem não querer ser pai ou mãe, mesmo depois que eles o tiveram, tem relação com o complexo de Édipo de cada um deles. Com a relação que cada um teve e ainda mantêm com seus próprios pais.

E as mulheres e os homens que tem empecilhos que os impossibilitam em serem pais ou em cumprirem essas funções, na grande maioria não sabem o porquê.

E não o sabem, porque a causa é inconsciente.

Andreneide Dantas (08/10/15)


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