YES Blog da Escuta: 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Bullying





O Bullying escolar foi estudado na década de 70 na Suécia e na de 80 na Noruega. No Brasil, a atenção voltada para o assunto é mais recente, contamos com algumas pesquisas feitas na região de São José do Rio Preto (interior de São Paulo) e no Rio de Janeiro. O que foi constatado é que a incidência desse fenômeno nas escolas é de 45%, número bastante significativo. E se formos analisar o Brasil todo, imagine o que poderemos encontrar.
Segundo o Instituto SM, o Brasil já ocupa, infelizmente, o lugar de campeão, entre países como Espanha, Argentina, Chile e México.

É muito importante ressaltar que esse fenômeno acontece tanto em escolas públicas quanto privadas, isso significa que não é específico de nenhuma classe social, e sim, proveniente da maldade humana, que dá sua mostra desde a mais tenra idade.

Não existe uma tradução para a nossa língua do termo Bullying, ele é inglês e deriva de Bully= valentão, brigão, tirano.
O que caracteriza o Bullying é o comportamento repetitivo e intencional de xingamentos, abusos, perseguições e/ou violência física, praticado por um ou vários garotos e ou garotas, contra um colega de escola.

Podemos encontrar esse tipo de comportamento maldoso em qualquer faixa etária, principalmente entre adolescentes. E geralmente são três os que estão envolvidos nesse fenômeno: o que agride, o que é agredido e o que assiste. O perfil do que agride é de ser o “fortão”, o “valentão”, ou no caso das meninas, a mais “popular”. O que é escolhido para ser perseguido, geralmente é aquele que é mais novo, mais baixo, e aparenta ser mais fraco, mais quieto, passivo e submisso. Ou aquele que apresenta alguma diferença física que chame a atenção (muito magro, gordo, usa aparelho, óculos, etc.). Ou ainda: o muito estudioso, portanto, mais introspectivo; o que assiste, o faz ou por se divertir com o fato, ou porque tem medo de ser a próxima vítima.

Enfim, os alunos que são os abusadores, escolhem suas vítimas, contando com o fato de que eles são mais frágeis e não vão se defender, e muitas vezes essas agressões são repetidas diariamente, por muito tempo. Os que são maltratados não contam para os professores e pais, com medo de sofrer mais consequências. Inclusive são ameaçados para que não contem.

É importante ressaltar que esse comportamento de Bullying, não é simplesmente uma maldade, como as que são praticadas entre crianças e adolescentes, onde apelidam, xingam e brigam. Ele é algo mais “covarde” e mais maldoso, praticado por crianças e adolescentes também têm dificuldades psicológicas, que não tem limites, e que sentem uma espécie de prazer (gozo) com o que fazem, assim, extrapolam suas maldades para outros que sofrem muito com isso, abrindo um ciclo de repetições.

As consequências para os alunos que praticam Bullying, se não forem parados e tratados a tempo, podem evoluir mais tarde para a delinquência e marginalidade. Os que são abusados ficam com sequelas psicológicas graves, que podem se convertem em doenças no corpo (psicossomáticas), depressão, síndrome do pânico, anorexia, bulimia, e óbvio, dificuldades psicológicas que a impedem de pertencer a grupos, de estudar, etc. E mais tarde, na vida adulta podem ter dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, no casamento, etc. Em casos mais graves, pode até levar ao suicídio.

Existe um estudo no Brasil feito por uma psiquiatra – Ana Beatryz Barbosa – que escreve um livro sobre o assunto, intitulado “Bullying - Mentes Perigosas nas Escolas”, onde ela faz um estudo minucioso e inclusive cita, pessoas conhecidas na mídia, que sofreram Bullying na infância e que tiveram a sorte e ajuda de algum adulto, para superarem os traumas sofridos e hoje são conhecidos pelo sucesso que obtiveram no âmbito profissional. Dentre eles, temos: Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos), Madonna (cantora), David Beckham (jogador).

Porém, esse é um número pequeno de pessoas que sofreram Bullying e o superaram, existem tantos outros, espalhados pelo mundo inteiro que carregam as marcas físicas e psicológicas dos maus-tratos que sofreram quando crianças, por outras crianças que, também tinham muitas dificuldades, proveniente geralmente, de lares desestruturados e que precisavam de ajuda psicológica e não tiveram.

Portanto, esse fenômeno não é novo, também não é específico de nenhuma classe social, e hoje encontramos uma nova modalidade, que é o Bullying praticado na internet, chamado de Cyberbullying. Esse, muitas vezes é mais difícil de conter, pois uma difamação praticada por um colega a outro na internet, rapidamente toma proporções gigantescas.

É importante que os professores, monitores, bedéis, fiquem atentos para perceberem quando isso acontece e mostrem para seus alunos que podem contar com eles para reprimir esse tipo de atitude. Assim, as crianças se sentem protegidas e se encorajam a contar. Os pais podem ficar alertas, para o comportamento dos filhos que não querem ir para a escola, que adoecem com frequência, apresentam vômitos ou diarreias, dores, mal-estar ou quando cai a produtividade na escola.  


Enfim, não se trata de negar esse acontecimento e sim estarem abertos para falarem a respeito com seus alunos, pais e professores. E quando detectarem, encaminharem as “vítimas” para tratamento psicológico e punir e tratar também os agressores.







#Bullying #agressões #vítima #violência #suicídio #tratamentopsicológico 
Andreneide Dantas ( 26/10/10) 


Apresentado para grupo de alunos do ensino fundamental

domingo, 29 de agosto de 2010

Porque Escuta Analítica?



Porque é o que melhor define nossa prática: a escuta que, desde Freud, tem possibilitado àquele que sofre, encontrar-se naquilo que diz. Pois é através do discurso que o sujeito revela seus sintomas e só através da palavra pode livrar-se "disso" que o incomoda e faz sofrer.

No início da análise as queixas referem-se à mãe, ao pai, patrões, namorados, filhos, marido, esposa, falta de sorte, destino etc. Em alguns casos, a lista pose ser enorme. Chegam em posição de "objetos", acreditando-se vítimas que nada têm a ver com o que lhes acontecem e nada podem fazer a respeito da desordem em que se encontram, porque "foram colocados" neste lugar, como nos situa o psicanalista Roberto Harari.

O trabalho do analista, é mostrar ao analisando sua insubstituível colaboração para sair desta desordem. Ele escuta o discurso do paciente sem tentar compreender o que este fala, ao contrário, lê aquilo que escapa aos outros campos de discurso. Trabalha com os lapsos, sonhos, interroga sobre os esquecimentos, lembranças e sintomas. Partindo do princípio que um ato falho, um lapso, pode falhar em relação à comunicação mas, "revelam"  uma verdade inconsciente.

Um sintoma sempre diz algo, mesmo que seja em forma de enigma; porém, alguns, não querem saber sobre as causas dos sintomas: porque adoeceram em determinado momento de suas vidas, porque não conseguem parar de comer em excesso, porque fracassam no trabalho, no namoro ou no casamento, não conseguem ter filhos, porque são dependentes químicos ou dependentes de alguém etc.

A análise possibilita ao sujeito descobrir acerca do desejo inconsciente e da satisfação inconsciente (gozo) que o mantém ligado aos sintomas. Quando faz esta descoberta, pode dar a si próprio um lugar diferente daquele que tinha antes de ser analisado. Assume que é responsável por seus sucessos e também por seus fracassos!

Pode assim, organizar-se em seu discurso e encontrar o fio que permite sair do "labirinto" de seu próprio adoecimento. 

Trabalhamos com o desejo inconsciente, que é território de descoberta. Muitos analisandos assustam-se quando descobrem que o que dizem ou deixam de dizer, tem conseqüências em seu corpo e em suas vida.

O analista se ocupa especialmente com aquilo que "não anda" para o paciente, suas inibições, seus impedimentos, fracassos, doenças. E trabalhamos com cada sujeito em particular. Se cada indivíduo tem sua história, (seu lugar ao nascer - se foi desejado ou não - sua posição na cadeia familiar, irmãos) sua subjetividade, sua singularidade, analisamos cada caso como único, não existindo uma resposta coletiva ou ortopédica, nenhum tratamento massivo. 

Falando no dispositivo analítico de si, de sua história, cada um pode descobrir seu próprio desejo inconsciente e também sua forma de gozar!

Algumas pessoas questionam o tempo da sessão na análise lacaniana: é um tempo onde as sessões não são reguladas estritamente pelo relógio, mas por um tempo lógico, tempo do inconsciente, em que o analista escuta, interroga e pontua a fala do analisando, podendo cortar a sessão no determinado momento em função do aparecimento de um representante do inconsciente (significante). Este momento é sempre inesperado, e o corte permite a continuidade do trabalho do inconsciente, possibilita que mesmo fora da sessão, o sujeito continue associando, fazendo suas descobertas.

Uma experiência de análise não é fácil de explicar, mas, para aqueles que pretendem saber sobre seu desejo; porque adoecem e se desorientam, a análise é o caminho.

#psicanálise #análise #sintoma #psicoterapia #sessãodeanálise #dispositivoanalítico #terapia #escuta 


Andreneide Dantas (29/08/10)