YES Blog da Escuta: 2018

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018


Excelente livro da psicanalista Colette Soller.

É isso mesmo o que uma análise possibilita. No início do tratamento, o analisando descobre que sua fala tem implicação em sua vida. 
Que as palavras que enuncia diz mais do que ele tinha intenção...
O que ele escutou de seus pais e de sua família marcaram seu corpo e de alguma forma determinaram suas escolhas. Mesmo que isso tenha sido feito sem ele ter tido consciência.
Desde o começo da análise são feito várias descobertas, e a vida do analisando vai ficando mais interessante. 
Ele produz novos significantes.
Pois ela -análise-- possibilita  que ele desfaça algumas equivalências sintomáticas que o impediam de agir.
Pois não basta acessar o material inconsciente, precisa descobrir o que repete em sua conduta que o adoece e atrapalha!
Descobre qual é seu gozo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018


Aprendemos com Freud, que no inconsciente não existe: o reconhecimento da passagem do tempo, da ironia, da contradição, da diferença sexual, da ideia da morte do sujeito..... Na releitura que Lacan fez da obra de Freud, formulou que o inconsciente é estruturado como uma linguagem.
Como uma linguagem, significa que ele aparece através das suas formações: lapsos, esquecimentos, sonhos, chistes, lembranças e sintomas. 
O conteúdo do inconsciente refere-se tanto as pulsões e desejos, como as manifestações linguísticas.
Na análise, o analista com seu ato, dá existência ao inconsciente. Possibilita que o analisando escute verdadeiramente o que diz. Ele aprende que as palavras não são somente palavras, são significantes! 
E que o inconsciente é uma cadeia de significantes que se repete...
E que seu mundo, sua vida, é organizado pelo que ele diz. E se ele não escutar esse discurso singular, que é do inconsciente, vai continuar se atrapalhando, gozando, adoecendo....pois o inconsciente parasita o corpo.

terça-feira, 27 de novembro de 2018



Mais uma vez cito o trabalho de Suzanne 0'Sullivan no livro 'Isso é coisa da sua cabeça '.. Nele, ela fez um trabalho muito interessante, inclusive citando o estudo que a OMS promoveu sobre o quanto as doenças chamadas de Psicossomáticas acometem os pacientes.
Nesse estudo foi detectado também, que as doenças que não tinha explicação orgânica, afetavam aos pacientes indiscriminadamente, independe se o país era desenvolvido ou em desenvolvimento.
Isso nos diz muito, pois é uma prova cabal, de que os pacientes são afetados em seu corpo pelo fato de serem falantes e terem um inconsciente!
Infelizmente, em nosso país ainda existe muita resistência em aceitar esses fatos. Por conta disso, os pacientes podem ficar anos procurando uma causa orgânica para seu sofrimento, vivendo com muita dificuldade, quando poderiam estar falando em análise e descobrindo a causa de seu mal-estar.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018


O trabalho da neurologista comprovou o que Freud tinha descoberto nos idos de 1900 : que uma dor psíquica é capaz de afetar ao corpo, abrindo feridas, causadores dores de cabeça, enxaquecas, dores no peito, alterando um órgão...fazendo, inclusive, uma alteração celular.
Pois os sentimentos, as emoções, as palavras, fantasias e sofrimentos, afetam diretamente o corpo do vivente.
Infelizmente, o rechaço do inconsciente ainda é muito grande, por isso gastam-se milhões no serviço público com pacientes que buscam socorro médico em hospitais ou consultórios, quando na verdade eles teriam que falar em uma análise sobre o que sentem: seus sintomas, suas inibições e suas angústias.
O preconceito em reconhecer que tem um inconsciente e que ele afeta ao sujeito, gera mais sofrimento e perda de tempo. 
Nesse estudo, O'Sullivan também destacou a dificuldade que os pacientes tem de descobrirem que não existe causa física para seus sintomas, e a dificuldade dos médicos de dar esse diagnóstico, pois muitos pacientes reagem com violência ou desacreditando o médico.
Andreneide Dantas

segunda-feira, 19 de novembro de 2018



Não basta que um casal gere e tenha um filho para que eles se posicionem como pai e ou mãe.
Não basta que um homem, uma mulher ou um casal adote um filho, registre-o na certidão de nascimento para que sejam pai ou mãe.
Pai e mãe são funções e aquele ou aquela que deseje ter um filho (que pode ser gerado ou adotado) precisam adota-lo de verdade!
Precisam ir a esse lugar, a essa função que implica em amar, cuidar, falar, ensinar e... colocar limites. Colocar limites nas pulsões destrutivas, ensinar a esse filho o que é o mundo e ensiná-lo, principalmente, que eles não podem ter tudo!
Nenhum ser humano pode!
Os pais precisam ajudar aos filhos a obter recursos, para que depois eles não precisem mais desses pais, e somente conseguirão sendo pai e mãe.

terça-feira, 13 de novembro de 2018





Aprendemos o que uma análise possibilita na vida do sujeito. Possibilita que cada um acesse esse material inconsciente, reprimido, que descubra porque faz as escolhas que faz.
Porque se atrapalha, investe em relações desastrosas, porque se maltrata e ou maltrata os outros.
Descobre qual é seu gozo....
Enfim, em análise se descobre que falar tem consequências, que a carga de herança que recebe da família não é somente a genética e material. Se herda o discurso familiar, com tudo que existe de bom e de ruim, os comportamentos e ditos que servem como 'bússolas' que orienta ou desorienta o sujeito.
Saber o que diz e porque diz o que diz, possibilita ao sujeito uma posição diferente no mundo.
Aquele que se analisa sai da posição de vítima, se responsabiliza por seus pensamentos, fala e escolhas e se encarrega de seu destino.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Inibição no trabalho




A inibição tem como resultado um impedimento motor: o sujeito não consegue falar, comer ou fazer algo.
Ela é uma renúncia.
Freud em seu artigo: Inibição, Sintoma e Angústia (1926), nos mostra a relação da inibição com a angústia, chamando atenção para o fato de que o sujeito se inibe para não realizar uma função, pois se assim o fizesse, teria como resultado um estado de angústia.
Quando ele fala sobre a inibição no trabalho, pontua que ela estaria a serviço da autopunição. 'Onde o Eu não pode realizar certas coisas, pois elas lhes trariam vantagens e êxitos, o que o severo Super-eu lhe proíbe.' Isso significa que o sujeito não realiza por sentir que 'não pode' ou 'não merece'.
Não é incomum que as pessoas que conseguiram ter êxito no trabalho sejam acometidos de inibição, e aquilo que antes realizavam com destreza seja um fator de tormento. Ou caiam doentes no momento que realizam o que tinham desejado tanto!
Em análise os pacientes descobrem o porque desses impedimentos.
Muitas vezes está ligado a um sentimento inconsciente de culpa.


quinta-feira, 8 de novembro de 2018




É por isso que é muito importante que os pais não subestimem o sofrimento dos filhos.  Pois eles podem estar passando por um sofrimento atroz, e se não encontrarem um lugar para falar,  podem ter prejuízos graves! 
Muitas vezes para poder 'apaziguar' a angústia que sentem, eles fazem uso de anestesiantes: drogas, bebidas, cortes no corpo...
Algo que 'sirva', mesmo  que seja momentaneamente, para aplacar seu sofrimento.
É muito importante que os pais falem e escutem seus filhos, e busquem uma análise para que eles tenham um lugar para falar do mal-estar, e desenvolver recursos psíquicos para enfrentar a vida.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018



O momento da adolescência implica em algumas transformações: fisiológicas e psíquicas.
Temos a puberdade com seu amadurecimento dos carácteres sexuais e o adolescer com suas transformações psíquicas. Portanto, não é um momento fácil, é conhecida como uma passagem ou fase que marca o antes, da infância, para o depois, na vida adulta.
É comum que os adolescentes sintam dores, chorem e sofram, pois eles não entendem o que está acontecendo. Seu corpo mudou repentinamente e eles não o reconhecem mais diante do espelho.
Existe um estranhamento dessa nova imagem e não é incomum que queiram fazer cirurgias para transformá-lo.!
É preciso muita cautela pois o corpo está em transformação, sendo necessário um tempo para que possam apropriar-se dessa nova imagem.



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Muitos pacientes não entendem porque repetem em seu comportamento, aquilo q viram seus pais fazerem. Mesmo que seja algo 'ruim' e que lhe fazem sofrer. 
Depois de um tempo em análise, descobrem que repetem de forma inconsciente e que terão que desfazer essas identificações, quebrarem esses modelos para finalmente realizarem seu desejo e não o do outro.


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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Escutamos o sujeito que sofre


Por sermos seres falantes somos afetados pelo que ouvimos, pensamos, dizemos e também pelo que calamos. Isso significa que as palavras e os afetos incidem diretamente no corpo causando tristezas, apatias, desânimos – que podem evoluir para depressão; angústias (que podem desencadear pânico), inibições, dependências de drogas, dificuldades no trabalho, nos relacionamentos, etc.
Enquanto o sujeito não se perguntar porque sofre daquele mal-estar e atribuir somente ao orgânico (sistema físico químico) ou ao destino o que lhe acontece, continuará sem recursos simbólicos para mudar seu sofrimento.
A psicanálise é um tratamento através das palavras, onde o psicanalista escuta o sujeito que sofre, e possibilita que ele escute nas entrelinhas do seu dizer, isso que parece uma língua estrangeira, uma fala que ele repete inúmeras vezes e não entende o que diz. E não compreende, porque diz respeito ao seu inconsciente, àquilo que não está acessível para ele conscientemente, entretanto, atrapalha sua vida.
A escuta de cada paciente é uma em particular, pois cada sujeito tem sua história familiar, sua singularidade e a cultura na qual vive. Através do relato sobre o que lhe acontece: a respeito de seus pensamentos, medos, angústias, esquecimentos, sonhos e fantasias, tem acesso ao saber insabido, ao seu funcionamento psíquico, ao porquê de suas escolhas. E assim, pode desfazer equívocos formulados na infância em relação ao que viu e ouviu, ao que interpretou de suas experiências com seus pais
Dessa forma, poderá diferenciar o que é realização de desejo de satisfação da pulsão destrutiva, descobrir a causa da compulsão à repetição, analisar seus conflitos e desfazer identificações que o adoecem e atrapalham sua vida.

Andreneide Dantas

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Efeitos de uma Análise



Palestra ILPC (Instituto Latino Americano de Psicanálise Contemporânea)
Palestra proferida pela psicanalista Andreneide Dantas no ILPC no dia 14/05/2018, sobre os Efeitos de uma Análise.

Correções.

• O nome do outro medicamento para pacientes com hiperatividade, é Concerta e não Sertralina.

• O número de suicídios não é de 65% e sim que em 2012, foi a segunda causa de mortes entre jovens, segundo estudo realizado pela OMS. (Organização Mundial de Saúde)

O número é bastante elevado e é fundamental que falemos sobre esse assunto para podermos juntos: nós, profissionais da saúde, pais, educadores e sociedade como um todo, tirarmos essa questão do lugar de tabu, e falarmos e debatermos para possibilitar às pessoas que sofrem encontrar um lugar de escuta para falar e tratar seu sofrimento.

Link do Artigo:

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150922_suicidio_jovens_fd





terça-feira, 17 de julho de 2018

Você tem fome de quê?





É muito comum sentirmos prazer ao ingerirmos determinados alimentos, principalmente aqueles que nos remetem a momentos de alegria e da infância e nisso não há problema algum, até porque se permitir comer algo é questão de saúde mental, mas há uma diferença entre a fome física e a fome emocional.
A fome de afeto está relacionada à vontade de diminuir alguma sensação de desprazer que pode ser ocasionada por estresse, cansaço, tristeza, alegria, dietas restritivas, raiva e ansiedade. Já a fome fisiológica é a necessidade de se alimentar para manter o corpo ativo.
Mas é preciso saber que existe uma grande diferença entre se permitir comer o que deseja, aproveitando o que aquele alimento está oferecendo tanto fisicamente, quanto emocionalmente.
A comida pode se transformar em uma muleta para o equilíbrio emocional, mas por trás de todo exagero existe um vazio que comida nenhuma preenche e comer para aliviar algum problema, pode gerar um desequilíbrio e trazer sentimento de culpa.

Caroline Moura   
Contato: (15) 9 9185-5077 l caroline.mouradias@gmail.com
Sorocaba - SP

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Preconceitos com a Psicanálise...



Esse vídeo faz parte de uma divulgação de outros 4: O que é Psicanálise?; Toda Psicanálise é Lacaniana?; O psicanalista recita medicamentos? e Quais os efeitos de uma psicanálise?


Todos estão no canal da escutaanalitica1.








Andreneide Dantas

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Adolescência e suas dificuldades




(Foto retirada da Internet para fins ilustrativos)


Na adolescência a exigência do luto da posição infantil, faz com que o adolescente tenha dificuldade de entrar no mundo adulto.

Os adolescentes aprenderam e presenciaram, através dos pais, a visão deles do mundo incluindo os seus conflitos emocionais. Muitos fazem dos seus filhos seus confidentes, sobrecarregando-os com sentimentos, dos quais são impotentes e meros espectadores.

Os adolescentes têm hoje, dificuldades em saber lidar com suas próprias emoções. O aprendizado através dos seus relacionamentos é difícil e isso traz muita ansiedade.
Acham-se inadequados por não saberem fazer com isso algo satisfatório, sentindo-se alvo de bullying ou rejeitados por seus pares.

O que acontece, hoje, que essa fragilidade nos adolescentes fica tão aparente?
Será que os pais ao tentarem ser tão “amigos”, fazendo-os participarem tanto do seu universo, não estão deixando de escuta-los? E para isso é necessário perceber que as diferenças que se estabeleceram entre as gerações, podem não compreende-las, mas acompanha-las e, ajudar no momento que houver uma demanda de acolhimento. 

Podemos pensar também, que essa geração busca através do computador, da internet, criar uma vida virtual que serve de escudo, encobrindo uma timidez ou a falta de perspectiva, também adiando a possibilidade do encontro com sua sexualidade. Essa experiência do “ficar”, também poderá ser lida como uma indiferença e até mesmo, dificuldade de escolha.

Na adolescência os laços familiares tendem a se afrouxar, eles questionam os valores de autoridade, até então reverenciados e surgem, também novas possibilidades além do triângulo edípico.
Nesse momento, da adolescência, as alterações das funções orgânicas e psíquicas, o sentimento de pesar, o luto da perda do objeto da fantasia, todas essas questões nos faz pensar que a constituição do sujeito é tarefa de uma análise. 


Maria do Carmo Mucciolo
04 de Junho de 2018

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