YES Blog da Escuta: 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Você sabe o que seu filho (bebê) quer?


                              
Quando uma criança nasce, ela é sempre pré-matura quando comparada aos outros filhotes. Enquanto os outros mamíferos já conseguem andar e buscar seu alimento, a criança precisa de um Outro que se encarregue dela, pois ela não tem condições de se virar sozinha.

É imprescindível que alguém cumpra essa função: de alimentá-la, banhá-la e cuidá-la. Geralmente é a mãe quem vai a esse lugar, mas também pode ser uma avó, uma tia ou uma cuidadora. O importante é que esse Outro (com letra maiúscula) cuide dela, senão ela não sobreviverá.

Entretanto, é importante que a mãe (ou quem vá a esse lugar), não cuide somente das necessidades básicas, quanto á fisiologia do corpo, e sim, que enquanto ela cuide da criança, ela olhe e fale com ela.

Pois, quando uma criança tem a sorte de encontrar alguém que faça dessa forma, encontrará alguém que olhe para ela enquanto a alimenta e enquanto cuida de seu pequeno e frágil corpo. Dessa forma, a mãe vai nomear o corpo do seu filho que é fragmentado, e assim, de uma forma simbólica fará uma inscrição na sua boca, nos seus olhos, seu nariz, seu sexo, etc.

Muitas vezes enquanto ela fala, faz um carinho, uma brincadeira, outras vezes, fará comparações, remetendo à semelhança de alguma parte do corpo com a parte do corpo de um familiar: do pai, avô, tio, dela própria, etc.

Esses gestos vão proporcionar com que o corpo do bebê, que é um corpo biológico, passe a ser um corpo nomeado, um corpo simbólico, marcado pela fala, pelo significante. 


Portanto, um corpo que responderá ao discurso materno.

É fato que os bebês quando nascem não conseguem ainda falar, pois não tem condições orgânicas para isso. Então, a única forma com que eles terão de mostrar o que sentem será através de seus choros e seus gritos. Chorarão ou gritarão quando estiverem com fome, com frio, com sede, dor, etc. E a cada grito ou choro emitido, a mãe vai interpretar: “meu filho está com frio”,está com sede”... etc..

Aqui, uma relação terá sido estabelecida entre a mãe e o filho.

Algumas mães (de primeira viagem) sofrem durante a gravidez, porque sentem medo de não saber o que fazer, como cuidar de seu filho, dizendo do temor de não saberem o que eles vão sentir, porque eles não saberão falar.

Esses temores são pertinentes, pois mostram que essa futura mãe se importa com esse que está por nascer. E nós sabemos que ela terá que aprender a cuidar dele, pois isso não se sabe a priori, mas também sabemos que por ser a maternidade um momento de ressignificação da infância dessa mulher, podemos encontrar alguns problemas.

O importante é que a mãe, o pai e a família fiquem atentos ao que está acontecendo, e busquem ajuda sempre que perceberem que “algo” não está bem.

Andreneide Dantas  
08/12/11

#bebe# Bebê #filho #nascer #indefeso #quer #desejo #corposimbólico #corpobiológico #gritodofilho #gritodobebe #choro 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Programação dos Cursos 2012

Prezados (as),

Já estão abertas as inscrições para os Cursos de 2012 do Instituto Tempos Modernos.Vale lembrar que as vagas são limitadas.

Abaixo segue programação completa:

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Como dizer "Não"!



Essa é uma tarefa nada fácil para muitas pessoas, principalmente para os pais, que nos procuram aflitos, porque seus filhos estão muito agressivos, violentos, ou que se recusam a dormir, comer e ou tomar banho.

Essas últimas, tarefas simples do dia-a-dia de todo sujeito, mas que nesses casos são acompanhadas de brigas, xingamentos e gritos, que desconcertam os pais e adoecem os filhos.

Existe uma crença nesses pais de que seus filhos não os obedecem porque tem algum problema orgânico, "talvez"  alguma doença ou algum gene “ruim” herdado de um parente distante, quem sabe aquele parente “menos-prezado”.

Quando investigamos o cotidiano dessas famílias, descobrimos que são muito permissivos, portam-se como "amigos" dos filhos, influenciados pelo imaginário social, que dita a moda equivocada do “seja amigo do seu filho”.

Pensar e agir assim, é um grande equívoco, que atrapalha o desenvolvimento psíquico da criança e promove o enfraquecimento da autoridade paterna.

Não é verdade que os filhos querem que seus pais sejam seus amigos, pois esses, eles escolhem na escola, condomínio, clube, etc. O que querem e precisam, é encontrar um pai e uma mãe exatamente naqueles, que tem o poder de exercer essas funções.

E quando não encontram, é porque esse homem e essa mulher, não se autorizam a ir ao lugar, de pai e de mãe. Lugar esse, que deveria coincidir com a escolha de ter um filho. Mas, sabemos que as coisas não são simples assim.

Esses homens e mulheres se atrapalham e prejudicam a vida dos filhos, igualando os membros da família e abolindo a hierarquia familiar. E sem a diferenciação, de quem um e de quem é o outro, quem são os pais e quem é o filho, a criança fica sem saber quem ele é, e a quem recorrer para lhe proteger e ensinar como deve se portar no mundo.

Sem um adulto que lhe ensine que “não pode tudo”, a criança se comportará como “um pequeno selvagem” como disse uma paciente; não saberá distinguir o que é certo e o que é errado; o que dizer; até onde pode ir. Ficam sem os limites, àquilo que coloca um "basta" na pulsão de morte, que é inerente a todo humano. 

Se isso não acontecer, os filhos não terão a oportunidade de lidar com sua agressividade , e "quem" terá lugar serão: as doenças, sintomas, depressões, pânicos, comportamentos violentes, etc. Cada vez mais comum em muitos lares, inclusive em crianças com pouca idade.

E o fato dos pais não assumirem sua funções de detentores da lei, o fato de não colocarem limites nos filhos, é porque primeiramente, são eles que não conseguem ouvir esse “Não!. E isso reside na dificuldade que é anterior ao nascimento dos mesmos, que tem a ver com sua história com seus pais.

E se não conseguem ouvir, não conseguirão falar esse “Não!”.


Andreneide Dantas 
11/11/13


#dizernão #limites #sintomas #agressividade #filhos #violência



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nosso Corpo


Fizemos uma linda Jornada sobre "O Corpo e suas diferentes abordagens", pudemos escutar vários profissionais que trabalham tanto com crianças quanto com adolescentes, adultos e idosos. E das mais variadas áreas: psicologia, psiquiatria, psicanálise, filosofia, geriatria, genética, educação, terceiro setor.

Foi muito interessante termos comprovado àquilo, que vemos cotidianamente em nossos consultórios: que nosso corpo primeiro foi estranho a nós mesmos, porque foi confundido como sendo uma extensão do corpo de um outro (mãe). Sendo primeiramente um puro órgão que aos poucos foi se constituindo como um corpo banhado pela linguagem, pelo discurso daquela que alimentou e cuidou. E que interpretando os gritos como sendo uma mensagem. Mensagem de fome, de frio, de dor ou de atenção, esses primeiros cuidados, possibilitaram que um corpo simbólico fosse sendo constituído em lugar do orgânico.

Uma criança não é como um "tubo" que precisa ser alimentada e ter seus excrementos ejetados. Ela é um ser falante que precisa ser alimentada, não somente com leite e sim com cuidados, carinho, afeto, amor, olhar e principalmente com palavras.

Vai depender desses primeiros cuidados, para que ela se torne um adulto saudável, alguém que possa se constituir como um ser desejante.

Seu corpo vai ser significado, receberá inscrições em seus órgãos com letras de carinho e amor. E em suas relações futuras ela repetirá essas experiências, tanto as de prazer quanto as de desprazer.

Quando recebemos crianças que constantemente são internadas, verificamos que naquela família "algo" está acontecendo e quando questionamos seus pais, nos deparamos com situações onde de alguma forma a doença responde a algo inconsciente deles.

É difícil para eles reconhecerem essa verdade "inconveniente", mas esse reconhecimento, é o primeiro passo para que se deem conta disso que estava inconsciente e possam desejar outra coisa. O que significa, que seu filho responderá de outro jeito: com saúde em vez de doença!.

Andreneide Dantas
24/10/11

#corpo #linguagem #psicanálise #psicologia #psicanálise #doenças


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Com-pulsão por Compras





Porque tantas pessoas no mundo sofrem com o ato de fazer compras? Na verdade, o sofrimento não é sentido durante o ato, e sim, logo após o mesmo.

Esse comportamento chama tanta atenção, que já criaram novas expressões: “viciados em compras”, “shopaholics” ou “onanie”. Quer seja uma ou outra nomeação para essa compulsão, o importante é sabermos por que isso afeta tanto.

O que leva com que milhões de pessoas se “entreguem” a esse “vicio” que traz tantas consequências? Porque existem mulheres e homens que por não conseguirem se controlar, extrapolam seus limites, o limite de seu cartão de crédito e às vezes leva a si e sua família à ruína financeira?

O próprio nome já nos dá uma pista, pois quando falamos de compulsão em compras, podemos ler com-pulsão, e não, desejo em compras. Trata-se, portanto, da pulsão. Esse “algo” que os pacientes em análise reconhecem como ”algo mais forte que a vontade”, algo que os “impele” a sair de casa e comprar, comprar, comprar. Às vezes não importa o que seja: podem ser sapatos, roupas, comida, bebidas, carro, etc. Nessa relação, pode entrar qualquer coisa que sirva para “apaziguar” momentaneamente alguma angústia sentida.

A compulsão não se manifesta somente na forma de compras, ela pode também significar para alguns: compulsão em bebidas, drogas, jogos, relacionamentos afetivos, relações sexuais, em contar mentiras, etc. 

Os pacientes relatam que por não entenderem o que lhes acontece, ou por não suportarem a angústia ou ansiedade que sentem, "correm para minimizá-la" através de “mimos” e "presentes" para si. Porém, no minuto seguinte se arrependem, prometem que não mais o farão e tornam a repetir o mesmo... diante de outra situação de angústia. Isso leva a um ciclo quase “infernal” de repetição, pois por se sentirem culpados pelo que fizeram, se punem, e assim, comem muito, bebem, se entristecem, reatualizando a repetição do mesmo.

Para entendermos um pouco esse processo de repetição é importante recorrermos ao que significa para a psicanálise a pulsão: algo definido por Freud como inerente ao ser falante, que não tem a ver com a vontade e sim com algo mais forte, "que quer ser satisfeito, não importando como". Existem dois tipos aos quais Freud denominou “Pulsão de Vida” e “Pulsão de Morte”. A primeira, como o próprio nome já diz, leva a preservação da vida, a outra à destruição. 

As duas coexistem durante toda a vida, sendo necessário um limite, para que fiquem dentro da normalidade. E depois, Freud disse que ela é sempre pulsão de morte...(desenvolveremos em outro artigo)

Como disse anteriormente, existe uma busca de satisfação que fará com que seu caminho seja sempre o de buscá-la através da repetição.

Esse mecanismo é feito desde os primeiros momentos de vida, já que o bebê sempre buscará uma repetição da primeira satisfação ao seio. O prazer sentido proveniente dessa primeira satisfação será buscado incessantemente durante toda a existência.

Portanto, se antes para o bebê existia a satisfação direta (sentia fome, era alimentado) quando entra na linguagem e no princípio da realidade, essa perda deixará um traço psíquico, o traço de um objeto que foi perdido e que será buscado nos outros objetos. Por isso, não importa a qualidade do objeto, e sim a procura por eles. Daí a relação com a compulsão à repetição, onde o que importa é o ato de satisfação da busca.

Concluindo, na com-pulsão se trata de um imediatismo, pois a pulsão não quer esperar para ser satisfeita. Diferente do desejo, que pode levar o indivíduo a buscar um momento mais adequado para realizá-lo. Enquanto na pulsão existe a urgência, no desejo encontramos a espera.

Isso posto, a compulsão às compras está ligada à compulsão à repetição inconsciente. Portanto, é importante que cada um descubra o que tanto busca e qual o valor desses objetos que vem momentaneamente cobrir a "falta" de um objeto perdido.

Andreneide Dantas
25/07/11

#compulsão #shopaholic #compras #vício #gozo #vontadedesmedida #prazer 

                                                                                                          


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Brincar é coisa séria

                                263687 Crinaças brincando Coloque seu Filho para Brincar fora do Computador com 5 Brincadeiras


Tem sido muito falado na mídia sobre a importância do brincar. Isso é um fato! Mas o que nos chama atenção, é o porquê da necessidade de falarmos sobre um assunto que é de conhecimento de todos. Se não é, deveria ser.

Pensei e cheguei à conclusão de que se precisamos divulgar e defender a importância do brincar é porque a situação tá complicada... E isso é consequência da vida moderna e de toda carga de obrigações que são colocadas muito cedo para as crianças.

Há algum tempo, a vida adulta era reconhecida pela entrada no mercado de trabalho, passando pelo fim da adolescência, onde os meninos e meninas iam pouco a pouco "abandonando" seus brinquedos e brincadeiras. Ou melhor dizendo, eles iam substituindo, 
à medida que iam se interessando pelo sexo com parceiros, com as paqueras, namoros, saídas para bailinhos e festas, sem a presença dos pais.

E hoje encontramos cada vez mais cedo, crianças que tem agenda de adultos e não têm tempo para brincar ou que brincam virtualmente.

O brincar é importante, pois desde cedo é através dele que a criança aprende a explorar o mundo. Ele também caminha de mãos dadas com a fantasia, (assunto para um outro momento) pois através desses atos, a criança encena uma vivência, explora o mundo e suas possibilidades, aprende, conta e reconta, assimila situações...E também pode representar uma experiência, quer tenha sido prazerosa ou desprazerosa. Por exemplo: quando uma necessidade ou um prazer desejado não é satisfeito, quando o bebê quer mamar e não é satisfeito prontamente, ele fantasia e faz gestos com seus pequenos lábios (encenando que estão mamando). 

Nesse caso, quando o faz, coloca a distância um sentimento negativo e com esse ato, reproduz ativamente uma experiência que viveu passivamente.


A importância disso, é que dessa forma diminuem a angústia vivida anteriormente, colocando-se como autores da cena e não mais como passivos, diante do mundo e das situações.

Na análise quando a criança brinca, ela representa e mostra o que ela sabe, ela nos "diz" o que está acontecendo. De forma simbólica representam o real que muitas vezes é angustiante e ameaçador.

Aqueles que não brincaram quando criança, ou os que não deixam de brincar, sofrem as consequências desse ato tão importante.

Isso posto, é de fundamental importância que as crianças brinquem! 

Brinquem para aliviar a angústia, brinquem para transformar a realidade simbolicamente, brinquem para explorar o mundo, para encenarem, aprenderem, fantasiarem e se constituírem como seres desejantes.


Andreneide Dantas  
23/02/11

#brincar #criança #sentimento #psico #psicanálise