YES Blog da Escuta: 2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Pais que não se autorizam ...


Imagem retirada da internet para fins de ilustração.


Quando alguém é promovido, faz aniversário, passa da fase da infância para a adolescência, da adolescência para a fase adulta, não significa que vá assumir esse novo cargo, nova idade, nova fase de vida automaticamente, pois se trata de sujeitos e não de máquinas.

Em relação a maternidade e paternidade também acontece algo parecido, pois não é garantido que quando um homem ou uma mulher tenham filhos (gerando, procriando e ou adotando) que eles encarreguem-se da função de pais.
Em qualquer uma das situações acima, é fundamental que eles se autorizem a assumir essa nova função ou fase, se não, não será possível. Pois isso não é algo que é dado pelo outro ou tenha a ver somente com a passagem do tempo ou amadurecimento biológico.

Na clínica, recebemos pais angustiados em relação ao sofrimento e indisciplina dos filhos e nas entrevistas - em alguns casos - o que nos chama a atenção é quando dizem: ‘Eu falei para o meu filho:  a mamãe está mandando você estudar “. E a queixa é que esse filho não fez o que ela mandou”.
Perceberam que nesse dito essa mãe não está em função? Pois não se autoriza, antes refere-se à sua própria mãe. Ou quando dizem “filho vai com o papai “, nesse caso ela fica como se fosse filha do marido e irmã de seu filho.  

Isso que parece “carinhoso”, custa caro para essa família, pois dessa forma, todos ficam fora de seus lugares e isso traz consequências graves.
Alguns pais nos dizem, que é somente uma forma de falar, mas o que eles não sabem, é que nessa forma de falar, essa "loucura" discursiva afeta o comportamento de cada um deles.

Escutei também uma avó chamando sua neta de ‘vovozinha’, nesse caso a intenção era de ser “afetuosa”. E onde está o carinho quando ela não chama a neta de “minha neta“; “minha netinha”? Em outro caso, um pai se dirigindo a sua filha disse “ papai vem cá”.
Sem exceção, em todos esses casos, tanto essa mãe, avó, e esse pai, estava se remetendo ao lugar deles enquanto filhos e neta. Algo do infantil deles retornava quando se dirigiam a família que geraram. Mas, eles não sabiam... pois isso é algo que é inconsciente.

Sigmund Freud, psicanalista, criador da psicanálise, nos disse que as pessoas primeiro cedem nas palavras e depois elas cedem nos atos. E ceder nas palavras é prejudicial, pois falar não é sem consequências, uma vez que nossa fala afeta diretamente nosso corpo e nossas vidas á ponto de produzir sintomas e doenças.

Quando um pai diz “Filho, eu quero que você vá estudar!“, é muito diferente de dizer “papai quer que você vá estudar“. Em uma situação ele se autoriza enquanto pai, e está em uma posição de hierarquia, em outro, está fora de seu lugar e a chance de ser respeitado é nula.
E quando não estão situados em sua função de pai e ou mãe é porque não conseguem, pois existem empecilhos, questões inconscientes em relação ao seu lugar infantil junto aos seus próprios pais.

Andreneide Dantas 

22/12/15

#autoridade #familia #lugar #crianças #infantil #doenças #psicanalise #escuta

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Brincar é estruturante


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

As ocupações preferidas das crianças são as brincadeiras e os jogos, já nos dizia Freud em 1907.
É através do brincar ou das brincadeiras que elas exploram o mundo e também podem se “apropriar” da realidade e dessa forma transformá-la.

Enquanto brinca a criança se diverte, aprende, se desenvolve orgânica e psiquicamente. Primeiro brinca com sua mãe (quando esta brinca com ela), e nesse momento existe “um playground” entre os dois, como bem situou Winnicott, depois ela brinca com seu corpo e posteriormente com seus colegas de jogos.
Também é através dos jogos e brincadeiras que as crianças mostram seu desejo de crescer. Não é por acaso que brincam de serem adultos (fingem que são os pais, os professores, etc.).

A criança é um sujeito em constituição e se desenvolve através da mediação com o Outro, e o brincar é um meio. Pois através dele, ela imagina, cria de acordo com seu mundo interno, de acordo com suas fantasias, seus medos e desejos.
Ela se comunica e nos transmite uma mensagem, simboliza o mundo real e isso é fundamental para o desenvolvimento de sua subjetividade, pois ela pode viver ativamente aquilo que outrora viveu passivamente. 

Por exemplo: quando elas levam uma bronca ou quando tem que tomar uma injeção, brincam, encenam que são elas as que estão na posição ativa e dão bronca ou tratam e cuidam de seus bonecos, como se fossem os adultos.
Nesse momento elas passam de uma posição de assujeitamento para uma posição de sujeito da ação. Aqui elas experimentam "serem" as detentoras da situação em vez de estarem assujeitadas ao Outro.

Na análise vemos claramente isso acontecer, quando a criança nos mostra, nos  ‘diz’ com o jogo ou a brincadeira aquilo que a está angustiando, seus medos, seus fantasmas e assim, podem simbolizar algo que viveu ou está vivendo e está sendo difícil.
Através do brincar ela se distancia de um real angustiante ou até aterrorizante, e quando faz isso, se alivia. Quando encena jogo com monstros, guerras, luta do bem contra o mal, ela representa suas pulsões destrutivas em vez de bater, brigar, machucar o outro, ou se machucar.

É a forma com a qual ela pode ‘dominar’ uma realidade ruim.

O brincar é tão importante que o sujeito não o abandona, apenas o substitui. Quando cresce, “brinca” com suas fantasias, lembrando mais uma vez os ensinamentos freudianos.
E quando o brincar não é possível por conta dos acúmulos de tarefas ou horas paradas diante da TV ou de jogos eletrônicos, temos um problema. Pois a criança perderá a oportunidade de elaborar um real angustiante ou ameaçador e ficará muito tempo na posição passiva diante do Outro. Quer sejam: adultos, TV, qualquer outro que a impossibilite de exercitar, criar e transformar algo.

Perguntaram para uma criança porque era tão importante para ela brincar. “Porque quando a gente não pode fazer alguma coisa, a gente brinca que pode “.
E quando elas não podem colocar em palavras ou nas brincadeiras e jogos, aquilo que querem ou sentem, mostram esse mal-estar no corpo através das doenças, inibições e sintomas.

Andreneide Dantas 
26/11/15

#crianças #brincar #psicanalise #analise #infantil #brincadeira #pais #familia #comportamento 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Pais devem falar a verdade

(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)

Se os pais querem ensinar aos filhos que é importante que falem a verdade, isso deve começar por eles. Pois sabemos que as crianças aprendem com o que escutam dos pais (depois com professores e outros que vão ao lugar de modelos) mas também aprende e principalmente, com o comportamento dos pais.

Logo, se eles praticam o exercício de falar com seus filhos, explicar o porquê do funcionamento das coisas, o que é fantasia e o que realidade, seus filhos aprenderão com isso e tenderão a fazer o mesmo.

Quando uma criança pergunta algo para a mãe que ela julga ser ‘demais’ ou ofensivo, esta, tem o dever de explicar para seu filho o quanto ele está equivocado e confuso. Mas, só poderá fazer isso, se antes escutar o que ele tem a dizer e perguntar porque está falando sobre aquele assunto. Um exemplo: Uma criança pergunta sobre sexo ou morte, os pais precisam responder aos filhos a verdade (respeitando o limite da idade dele) em vez de calar a boca deles. Pois se o fizerem, eles vão endereçar essas perguntas para outros, que podem ser adultos desestruturados ou até perversos.

Ao ouvir a resposta da boca dos pais, eles saberão da verdade e se aliviarão. Pois o "não saber", o equívoco, dá lugar para fantasias ruins e isso gera angústia e também sintomas.
As crianças são seres em formação, logo, elas aprendem com o que está a sua volta, sendo fundamental que possam confiar nos pais (ou em quem vai a esse lugar) que são os que têm a função de: amar, ensinar e proteger. E isso é imprescindível para o desenvolvimento psíquico sadio de um sujeito.

Uma palavra ou uma explicação pode aliviar a criança. Como: contar que vai trabalhar e volta no final do dia, mesmo que isso provoque tristeza e o filho chore, saberá que a mãe está se importando com ele e explicando o que vai fazer e quando retornará. Tem mãe que diz que vai sair e já volta, mentem, quando na verdade sabem que voltarão somente à noite. Ou o fato da criança perder o pai (morte) ou outro ente querido e a mãe não contar para seu filho por acreditar que ele não entenderia...

Está claro que essa é a dificuldade dela em lidar com a morte, e não do filho. Aliás à maioria dos adultos tem essa dificuldade: de aceitar que são mortais. Vale lembrar, com o que aprendemos com Freud, que no inconsciente não tem a representação da morte.
Mesmo a criança com pouca idade tem o direito de saber o que aconteceu com seu pai, pois ela sentirá sua falta. E é importante que não lhe tirem esse fato, que lhe permitam falar, chorar, ficar triste e falar da saudade que sente para poder fazer o luto dessa perda.

Quando isso não acontece, fica uma lacuna que pode ser preenchida com as mais "loucas" fantasias que podem depois, desencadear doenças. Lembro de uma paciente que "acreditava" ter sido abandonada pelo pai, quando na verdade ele tinha morrido. A história que lhe tinham contado é que ele "tinha ido embora...".

Se os pais querem filhos sadios psiquicamente têm que possibilitar isso, e falar a verdade e escutar o que eles têm a dizer, saber quais são suas dúvidas, será de grande valia.

Andreneide Dantas 
26/10/15

#pais #filhos #verdade #psicoterapia #amar #ensinar #proteger



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Desejo de ser mãe não é algo natural


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

A criança quando nasce vem ocupar o lugar de uma falta, se não fosse assim, não existiria lugar para ela.
Quando os pais têm desejo de ter um filho se empenham em realizá-lo. Outros, acreditam que querem, mas na verdade não existe lugar para esse desejo, então mesmo que se empenhem muito não conseguem engravidar. Falo aqui, de situações onde mesmo que organicamente as condições se apresentem favoráveis (não tenham nenhum problema orgânico nem com o homem nem com a mulher), ainda assim, não conseguem.

É importante diferenciar que muitas vezes as pessoas verbalizam que querem algo, mas isso não coincide com o verdadeiro desejo, que está no seu inconsciente. Isso significa que mesmo que digam que querem determinada situação, não a desejam.
No caso do nascimento de uma criança é fundamental que ela tenha sido desejada.

Desejada para que? Podemos perguntar.

Existem mulheres que podem ter um filho e doá-lo para uma outra – que pode ser sua própria mãe - mesmo que ela não tenha consciência disso. Que o entrega aos cuidados de outros: parentes, vizinhos, ou “a própria sorte”; que o dão para doação, ou em casos extremos o abandona na rua (como vimos acontecer essa semana em São Paulo, e foi noticiado na TV) ou em casos mais graves, jogam fora, como se fosse um objeto ou ainda, os matam.

E porque uma mulher engravida, tem um filho e faz algo tão terrível, como nos últimos casos?
Para responder, teríamos que analisar cada caso, (podemos em outro artigo falar mais a respeito), mas um fato importante a considerar é que o desejo não é algo natural.

Ele está em relação a uma falta.
Se o desejo fosse algo natural, toda mulher desejaria ter um filho. E também os homens, pois existem homens que não querem ser pais.

E o fato de uma mulher ou de um homem não querer ser pai ou mãe, mesmo depois que eles o tiveram, tem relação com o complexo de Édipo de cada um deles. Com a relação que cada um teve e ainda mantêm com seus próprios pais.
E as mulheres e os homens que tem empecilhos que os impossibilitam em serem pais ou em cumprirem essas funções, na grande maioria não sabem o porquê.

E não o sabem, porque a causa é inconsciente.

Andreneide Dantas 
08/10/15


#psicanalise #adulto #mulheres #maternidade #psicologia #sermae #genitora #gestação #crianças #bebe  

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Vídeo: Dificuldades Escolares - Quais as consequências se não forem tratadas?




Vídeo sobre as Problemáticas Escolares

Psicanalistas: Ana Carlenia Oliveira, Andreneide Dantas e maria do Carmo Mucciolo

#psicologia #analise #dificuldadesescolares #deficit #aprendizado #escola #professores #pais #alunos #atenção #cuidados

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Vídeo sobre Dificuldades Escolares





Vídeo gravado por três psicanalistas que abordam as causas que desencadeiam as dificuldades que as crianças sentem na escola e que se não forem tratadas á tempo pode desencadear para um fracasso.
O trabalho é dividido em 3 partes, onde abordam desde as causas orgânicas, quanto problemas de relacionamentos tanto dos pais, quanto dos professores.
O objetivo é orientar e chamar a atenção daqueles que cuidam das crianças, para a importância de escutá-los, sabendo que ali está um sujeito que sofre e que mostra com seu comportamento que "algo" não está bem.

Psicanalistas: Ana Carlenia Oliveira, Andreneide Dantas, Maria do Carmo Mucciolo

#escola #educação #problemasescolares #repetência #evasãoescolar #sintomas

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Pais superprotetores constituem filhos frágeis.



É próprio da condição humana ter falhas, não saber tudo e ter dificuldades, uma vez que não somos perfeitos! Isso significa também que não se pode ter tudo na vida e essa ‘máxima’ vale para todos aqueles que se incluem na condição de seres falantes.

O grande equívoco de algumas famílias, e propagada pelos meios de comunicação, é o de que as crianças podem e devem receber ‘tudo’ dos pais.

Por conta disso, muitos pais desde cedo, não ensinam aos filhos que errar, falhar, se equivocar e cair, faz parte do crescimento.

Aceitar que tem limites, é aceitar que somos castrados, no sentido psicanalítico do termo, e isso nos torna humanos.

‘Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram aos filhos.... Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo! (Jean Pierre Lebrun, psicanalista belga, entrevista 2009 revista veja)

Essa frase tão esclarecedora vem ilustrar o que repetidas vezes dizemos, que os pais precisam ensinar aos filhos que eles nem sempre vão acertar! E isso vale para os pais também.

Recentemente pudemos ler a entrevista (na mesma revista) de uma educadora, ex-reitora de uma das mais prestigiadas universidades, Stanford (Califórnia), Julie Lythcott-Haims, dizendo o que tinha vivido junto aos alunos durante sua experiência de 13 anos na universidade. Seus alunos adultos se comportavam como crianças. Eram oriundos de famílias superprotetoras, que no intuito de facilitar muito a vida dos mesmos, tinham exagerado e prejudicado, pois não os tinham preparados para enfrentar as adversidades da vida. Assim, os jovens tinham se tornado pessoas com dificuldades para fazer escolhas, desde as mais simples até as mais importantes e complexas, relacionadas aos estudos e trabalho.

Quando uma criança aprende desde cedo que tem coisas que recebem dos pais e outras terão que buscar, descobrem que tem potencialidades e assim, podem desenvolver recursos psíquicos para vencer desafios e se maravilham com seus resultados.

Em relação a esse segundo exemplo, podemos falar da filha do magnata e ex-prefeito de Nova York, Georgina Bloomberg, que aprendeu cedo a superar desafios. Mesmo tendo sido educada em uma família bilionária que lhe proporcionou muitas facilidades materiais, o que poderia ter passado a mensagem equivocada de que “poderia ter tudo”, ela escolheu fazer hipismo: ‘Tenho muito amor pelo esporte. Não importa quem você é ou o que tem, no esporte todos tem a mesma chance’, disse a jovem a um jornalista. (Globonews).
Essa moça desde os quatro anos pratica o esporte, faz parte da equipe de Hipismo do Estados Unidos e participou recente dos jogos Pan-americanos.  “Eu sabia que não poderia comprar uma medalha” disse ao jornalista. Ela aprendeu que teria que conquistá-la.

Então, senhores pais, ensinem a seus filhos que a frustração faz parte da vida e que as conquistas são alcançadas por méritos próprios.

Pois se não o fizerem, transmitirão a crença “enlouquecedoura” de que podem dar tudo para eles, deixando-os em uma posição de dependentes e portanto infantis!


Andreneide Dantas 
12/08/15

#pais #família #superprotetores #crianças #frágeis #psicanalise #lacan

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Medicalização das crianças

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Repetidas vezes chamamos a atenção para o fato do excesso de medicação, o que configura uma medicalização (Zola, 1972), que vemos acontecer nos tempos atuais. Vivemos em uma sociedade onde a maioria das pessoas tomam remédios: para dormir, acordar, emagrecer, engordar, recrear, estudar, etc.
Não nos restam dúvidas que estamos diante de um uso abusivo de medicações. Existe o que chamamos de ‘epidemia’ de diagnósticos e o que antes era considerado uma dificuldade da vida cotidiana ou uma particularidade de cada sujeito, hoje é considerado um transtorno para o qual tem que ser medicado.

Mais surpreendente e preocupante é, quando atentamos para o número de crianças que tomam medicamentos para poder prestar atenção nas aulas. Os que fazem isso, acreditam, que os problemas ou as dificuldades que as crianças apresentam são resultados de má formação orgânicas ou neurológicas, e as tratam sem distinção. Sem levar em consideração a causa que está "por trás" e que tem relação com cada uma das crianças em particular.

Cada criança tem sua história, sua subjetividade, então, por que receitar ou ministrar uma medicação que é comum para todos, se os sujeitos são individuais?

Todo sujeito foi constituído no seio de cada família, com a marca das palavras ouvidas e dos gestos dispensados a ele, e mesmo que sejam irmãos e ou até gêmeos, eles são diferentes. São diferentes porque são seres únicos, pois são sujeitos que respondem de forma diferente em relação a estímulos, tantos externos quanto internos. Os primeiros Outros: a mãe, o pai, ou quem fez essa função tão importante, vai ter marcado cada filho de forma particular.

Portanto, cada sujeito é resultado do discurso parental.

Quando uma criança não pára quieta, não consegue aprender na escola, se envolve constantemente em brigas ou repetidamente adoece, é importante investigar a história dela. Para descobrir porque isso acontece, como ela está posicionada na família, como é tratada, o que ela escuta da mãe e do pai. Por que ás vezes ela é uma criança que tem muita energia e por conta disso é nomeada de “terrível” ou  de “impossível”.

Uma vez atendi uma criança e na entrevista sua mãe disse, que iria trazer ‘o diabo’, referindo-se ao filho. Essa mulher não tinha se dado conta de que com essa nomeação, não tinha escapatória para o filho, senão, comportar-se como aquele que “aterrorizava a todos na escola, no condomínio e na família”, com comportamentos impulsivos e destrutivos.


O comportamento que cada criança mostra, revela o seu sujeito do inconsciente e a constituição de sua subjetividade. E quando os pais não prestam atenção nisso, não a escuta e a medica sem necessidade, o que fazem (sem saber) é amordaçá-la e privá-la de falar sobre seu sofrimento, e assim, tiram a possibilidade de que elas possam criar recursos para resolver a verdadeira causa de suas dificuldades.

Andreneide Dantas 
17/07/15

#medicalização #psicanalise #comportamento #lacaniana #crianças #escuta #análise #hiperativa #TDHA

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Depressão - Vídeo curto


Vídeo (curto) sobre Depressão


Escuta Analítica 
02/07/15

#depressão #inconsciente #família #análise #psicanálise 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Disciplina e rendimento escolar


(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)

Os professores têm sofrido em sala de aula para poder exercer bem sua função, pois,  além de ensinarem a disciplina (e sabemos que essa tarefa não é fácil), ainda tem que ensinar regras básicas de convivências aos alunos. Tarefa essa, que não compete a eles e sim, aos responsáveis pela educação dos mesmos!

Sendo assim, as crianças que vão para a escola já deveriam ter aprendido!


Está mais do que provado, por pesquisas – como a que foi desenvolvida pela Fundação Lemann e veiculada em março último pelo Fantástico* e principalmente por experiências, que quando uma criança recebe disciplina em casa, tem melhores condições de aprender em sala de aula. Pois terão condições principalmente de respeitar seus professores.
Quando a elas lhe são ensinados o que é certo ou errado, o que podem ou não fazer, sentem-se bem, percebem-se crescendo, fazendo parte de um mundo que é regido por regras e leis. Por acréscimo, também descobrem que agradam aos pais com suas conquistas diárias, pois a cada dia obtêm um novo aprendizado.
  
Quando são cercadas por adultos que prestam atenção nelas, (leiam bem a frase!) que cumprem a função de educar exercendo sua autoridade, sentem-se seguras e protegidas. Pois isso faz com que elas possam conter suas pulsões destrutivas. E cada vez que isso acontece, se acalmam e prestam atenção no que estão fazendo. Em outras palavras, mantém o foco, em vez de se dispersarem com o turbilhão de sensações, pensamentos e "atrativos" que funcionam como distrações...
  
Por outro lado, quando isso não acontece, a consequência é que elas mudam muito rapidamente o que estão fazendo, por não conseguirem manter a atenção em uma determinada atividade. Isso pode começar nas próprias brincadeiras e depois essa dificuldade incidirá na dificuldade de aprender na escola, e também terão outros desdobramentos, como dificuldades no social e também nos relacionamentos.
E os pais, que por algum motivo:  medo, culpa, fragilidade, dificuldades (que na maioria das vezes tem causas inconscientes) não conseguirem disciplinar seus filhos, não sabem o “mal” que estão fazendo.

Por isso, não se trata de acusá-los e sim, de auxiliá-los nessa tarefa.

Concluindo, é de fundamental importância que os adultos que se encarregam das crianças, principalmente os pais, se apoderem da tarefa de educá-los e discipliná-los, pois se  não fizerem, quem o fará?
Talvez os professores, mas dessa forma, perderão o tempo que deveriam estar ensinando e desenvolvendo nas crianças um desejo de saber.


*Pesquisa realizada pela Fundação Lemann, que ouviu mil professores do ensino fundamental em todo país e concluiu que a indisciplina é um dos principais problemas que os professores enfrentam em sala de aula.

Andreneide Dantas 
12/06/15

 #disciplina #rendimento #escolas #alunos #pais #professores #hiperatividade

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Video - " A Família Hoje 2 ".

Tem vídeo novo no canal do Instituto Tempos Modernos !

E dessa vez o tema é sobre: " A Família hoje ".


Filhos nascidos de casais héteros, casais homossexuais,

fertilização in vitro, barriga de aluguel, adoção...

- O que constitui uma família?

- Como estão constituídas as famílias na atualidade?
- Quais são as condições necessárias para que um filho se torne um sujeito desejante?

Com: Andreneide Dantas (Psicóloga e Psicanalista)





sexta-feira, 22 de maio de 2015

Objetos tecnológicos e falta de concentração




(Imagem retirada da internet para fins ilustrativos)

A demanda social vigente exige que as crianças sejam cada vez mais adaptadas ao meio.

Que falem várias línguas, façam muitas atividades, tenham uma agenda que parecem de "pequenos executivos".  Assim, dão várias tarefas e também vários estímulos como: Tv, vídeos games, tablets, celulares.....E depois querem que as crianças tenham condições de se concentrarem em sala de aula.

Como isso seria possível? Uma vez que elas não desenvolveram essa função?

Se na maioria das vezes elas não tem tempo livre e quando o tem, estão absortas com seus objetos e não estão brincando com outras crianças ou lendo... Como poderão desenvolver a concentração, se não tem tempo nem lugar para essa tarefa?

22/05/15


#faltadeconcentração #tecnologia #psicanalise

quinta-feira, 9 de abril de 2015

As crianças não precisam de muito...


(Imagem retirada da internet - meramente ilustrativa)

Enganam-se os pais que acreditam que seus filhos precisam de muitas bonecas, muitos carrinhos, muitas bolas, aparelhos eletrônicos – aliás, tem que ter muita cautela em deixar as crianças usarem, pois dependendo da idade é melhor que não usem – etc.
É verdade que as crianças demandam muitas coisas, mas na verdade o que elas querem, a verdadeira demanda é a de amor, e esse, tem que vir acompanhado da fala, da atenção e de limites.

Esse tema – sobre limites – pode parecer muito repetido em nossos artigos, mas é por sua importância fundamental para a constituição subjetiva das crianças, da realidade psíquica, que reiteradamente tocamos nesse assunto.
Elas necessitam sim de amor, cuidado e disciplina, pois se os pais (ou adultos que se ocupam delas) não o fizerem, elas terão muitos...- agora sim - problemas!

Recebemos, não poucas vezes, pais amedrontados e até acuados, com medo de seus filhos. Dizendo não saberem mais o que dizer e fazer, para que eles fiquem quietos e os obedeçam. E isso, em relação as mais simples tarefas como: acordar, dormir, comer, estudar...
O que esses comportamentos revelam? Essas crianças desafiam a quem? A resposta é muito simples: aos seus pais. São a eles que pedem, "imploram" com seus comportamentos, seus corpos que “não param”, que contenham seus impulsos agressivos. 

Que lhes digam NÃO! 

E aqueles que se dispuserem a cumprir essa tarefa, comprovarão que o retorno será o de que seus filhos se acalmem, pois a palavra pode conter, pode barrar uma pulsão..
E aqui estamos falando das pulsões agressivas.

A tarefa parece simples: Senhores pais e mães olhem para seus filhos nos olhos e digam-lhes Não! 

Não! Para os perigos e as armadilhas que fazem com que as crianças acreditem que podem fazer tudo! E se eles - os pais - não ensinarem o que eles precisam saber, pagarão o preço de ficarem acuados e tiranizados por seus rebentos. Em contrapartida, os filhos ficarão á mercê de suas pulsões destrutivas.
Alguns, já devem ter ouvido falar de um transtorno que é diagnosticado mundo afora, chamado de Transtorno Desafiador Opositivo DSM-IV, esse transtorno é caracterizado por um padrão de desobediência, de desafio e comportamento hostil em relação as figuras de autoridade: pais e consequentemente professores. (DSM IV)

Temos que ter ressalvas e no mínimo, questionarmos se trata-se de um transtorno, uma vez que um comportamento agressivo ou hostil, não é algo que resulta do biológico como diz o manual, e sim de uma atitude do sujeito.
É importante enfatizar, que os próprios autores no DSM reconhecem, que esse transtorno ocorre em famílias onde existe o enfraquecimento dos limites. O que comprova que se os pais não detiverem a lei e não se colocarem como aqueles que tem o poder de estabelecer as regras e disciplinas, respeitando e se responsabilizando por seu lugar hierárquico, restará aos filhos, os diagnósticos e os medicamentos!

Quanto mais omissão dos pais, mais os filhos serão diagnosticados e medicados!

Andreneide Dantas
09/04/15

#indisciplina #limites #filhos #medicação #DSMIV #trrasntornodesafiadoropositor #excessos



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Por que nosso filho tem problemas?

(Imagem: Shutterstock)

                                                     
Essa pergunta faz parte das preocupações e provoca agonia e sofrimento, em muitos pais que nos procuram na clínica psicanalítica, e nos demandam ajuda para entenderem e resolverem o que não está bem com seus filhos. Também é tema de um livro interessante da psicanalista Anny Cordié.

Os pais angustiados e muitas vezes desconcertados, não entendem o porquê dos filhos não aprenderem a falar no tempo esperado, andar quando tem a maturidade para tal, socializarem quando tem estímulos e oportunidades, e não terem um bom desempenho na escola, uma vez que eles (os pais) oferecem o melhor!

Essas famílias muitas vezes chegam feridas narcisicamente porque seus rebentos tem atrasos no desenvolvimento. 
Sabemos que isso não é fácil pra nenhuma família. 
O fato de aceitarem que os filhos tem algum problema é fundamental para que possam buscar ajuda!  

O que se passa com seus filhos? O que eles pensam, porque não falam? 

Muitos se surpreendem, quando dizemos e ressaltamos a importância do discurso no qual a criança está inserida. Investigamos como eles agem com os filhos, o que lhes dizem, como estão as "coisas" entre o casal.... Onde os filhos dormem...se tem horários para comer; com o que brincam, o que assistem...se são respeitados sua idade e preservados de alguns assuntos...  

Pois, o que os filhos ouvem desses pais, que lugar ocupam nessa família, quais são os sentimentos quer permeiam esse lar, como o casal se trata -  se o respeito prevalece ou não - são determinantes para o ritmo do desenvolvimento motor, intelectual e principalmente psíquico de toda criança.

Que relação existe entre o que eles (pais) fazem, com o fato dos filhos terem dificuldades? Nos perguntam alguns. Pois eles vieram para falar do filho e não deles...

O que esses pais aprendem é que as crianças são seres em formação - indefesos - e dependem totalmente deles enquanto Outro (mãe, pai) para serem cuidados. Que o olhar, a palavra, a atenção que será dirigida para o filho afetará seu desenvolvimento, para o melhor e para o pior (depende da qualidade desse investimento libidinal).
Pois é o Outro que vai simbolizar o corpo da criança, fazendo com que seu corpo deixe de ser "puramente biológico" para se transformar em corpo simbólico, afetado pela fala.

Concluindo, a criança precisa do Outro para se constituir como um sujeito desejante, senão não passará de um corpo, que será alimentado, banhado e cuidado.
Portanto, o que os pais dizem e fazem, tem toda relação com a constituição subjetiva dos filhos.

Andreneide Dantas 
28/01/15
                                                                                                                 
#pais #familias #filhos #ritmodobebe #desenvolvimento #problemas #crescimentofilho #doenças