YES Blog da Escuta: 2014

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Novas Configurações Familiares




Ontem, apresentamos a última palestra do Ciclo "Como nos afeta nossa Época" do Instituto Tempos Modernos em parceria com a Escuta Analítica, onde falamos das transformações que a família sofreu nos últimos tempos.


As palestras e o debate teve como ponto alto, o fato de nós psicanalistas estarmos atentos a todas as mudanças pelas quais os indivíduos, ou melhor, o sujeito sofre ao longo de sua vida. E ao longo das transformações sociais. Não sendo diferente com aqueles que fazem parte de uma família.

Família tradicional, recomposta, monoparental, homoparental...o mais importante é saber como estão colocadas as funções dentro da família: a função da mãe e a função do pai.

E quando dizemos função em psicanálise, isso significa que ela pode ser exercida tanto por alguém do sexo masculino, quanto do feminino.


Logo, tanto um casal heterossexual pode funcionar como uma família saudável, quanto um casal formado por duas mulheres e seus filhos, dois homens e seus filhos, uma mulher e seu filho, um homem e seu filho, uma avó com seus netos, etc.

Contanto que nessa família haja respeito, transmissão dos valores, da ética e principalmente a imposição dos limites e das diferenças entre as gerações - onde fica claro  quem manda - as funções serão sustentadas.


De quem é a autoridade! Quem manda?


Se esses limites e essa diferença não operar, os filhos (as crianças) ficarão á mercê de seus impulsos destrutivos.

Pai e mãe tem que deixar bem claro qual é sua função: cuidar, amar, transmitir os valores, ensinar o que é certo e errado, e principalmente dizer ao filho o que ele pode ou não fazer!

Somente assim, eles poderão se constituir como sujeitos de deveres, direitos e desejo.

Para que isso aconteça os pais devem tratar a seus filhos como sujeitos separado deles e não como objetos!



#família #psicanalise #pais #homoparental #famíliarecomposta #pais

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Desatenção na escola: Qual é a causa?

(Imagem retirada da internet - meramente ilustrativa)

Quando uma criança não consegue prestar atenção em sala de aula, qual será a causa?

O que tira sua atenção são pre-ocupações (uma vez que são muito ocupadas com atividades extras escolares....)? Não dormiram direito? Estão incomodadas com algum acontecimento de sua casa? Como estão seus pais?  Houve briga em casa? Mudança de residência? Alguém doente? Morte de ente querido?Fantasiando...querendo brincar..

No que estão pensando quando não estão "focadas" nos estudos?

Cada criança é um sujeito em formação, com sua história singular, sua família específica, seus problemas peculiares...então, porque muitos acreditam que essas crianças precisam de medicação, e não de atenção!

Atenção por parte dos pais, dos professores, de alguém que olhe para elas e perguntem: "O que está sentindo?"
Para que tenham a chance de colocar em palavras seu sofrimento, uma vez que a criança coloca no corpo e no comportamento (assim como muitos adultos), um discurso sem palavras....
Não parece interessante o termo Transtorno de Déficit de Atenção!

De qual atenção se trata?

Andreneide Dantas  
28/10/14

#dificuldadesescolares #comportamento #crianças #deficitdeatenção #TDHA #desatenção

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O desenho como mensagem

                             


Os desenhos têm fundamental importância para o ser falante, desde o início da humanidade, vide as pinturas rupestres, pictográficas e hieróglifos, formas com as quais os povos representavam o mundo em que viviam e assim transmitiam uma mensagem.

A criança desde muito pequena desenha e nele representa o que ela vê, a forma como ela enxerga e interpreta o seu entorno. É por isso que quando nos deparamos com os seus primeiros desenhos - os rabiscos - e a convidamos para falar sobre o que fizeram: poderá nos responder que ali estão: sua mãe, seu pai, ela, seus irmãos...

Naquele rabisco está representado o que ela enxerga, a representação psíquica do seu olhar e também em relação ao que sente.

Por isso, essa forma de expressão é utilizada quando atendemos crianças, pois através dos desenhos, elas podem falar sobre o que fizeram, sobre suas dúvidas, seu sofrimento e assim colocarão em palavras o que desenharam e o que sentiram. E sem os desenhos alguns ditos, não seriam possíveis de serem expressos.

É importante que o adulto que rodeia a criança, promova esses atos, para que ela possa representar através do rabisco ou do desenho, seus sentimentos.

O elogio serve como estímulo e a crítica pode funcionar como uma barreira que pode paralisar essa forma de produção.

Escutei de uma mãe, que em vez de elogiar tinha criticado o desenho do filho, e ainda tinha pedido para que ele "caprichasse" mais da próxima vez!  Com certeza, essa mulher não sabia que aquele tinha sido o máximo que ele tinha conseguido fazer! De acordo com os recursos que dispunha.

Pois estava em jogo todo o esforço de um trabalho psíquico, para que ele fizesse a representação simbólica do que queria expressar!

Então, da próxima vez que seu filho desenhar, que tal perguntar-lhe o que ele produziu? E pode também pedir para ele contar uma história sobre seu desenho. 

As “pérolas” que ele revelará, serão surpreendentes!

Andreneide Dantas 
15/10/14

O título desse artigo foi mudado em vez de "O desenho como veículo" para O desenho como mensagem.

#crianças #psicoterapia #desenho #psicanálise #arteinfantil #transmissãodemensagem #representaçãocorpopsíquico #linguagemdosdesenhos #expressãopsíquica
 



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Brincar é coisa séria - frase



"Através do brincar, a criança simboliza seu sofrimento.
Vemos claramente isso, quando uma criança "brinca de dar injeção" na sua boneca, depois dela própria ter passado por esse acontecimento".

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ritalina em vez da palavra?

(Imagem retirada da internet - meramente ilustrativa)

Porque seu uso cresceu demasiado?
Não podemos deixar de nos surpreendermos, com o dado que foi veiculado recentemente na mídia, sobre o uso da substância Metilfenidato, cujo nome comercial é Ritalina. 
As informações divulgadas revelaram um aumento de 775% no uso desse remédio. Os dados são resultados da importante pesquisa realizada pela psicóloga Denise Barros, do Instituto de Medicina Social da UERJ, que foi veiculado nos principais jornais e revistas do país. (Veja - agosto 2014, jornal Estadão...)

A maioria talvez saiba, que o remédio descrito acima, é indicado para pessoas, principalmente crianças e adolescentes, que receberam o diagnóstico de Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
E como podemos justificar esses dados alarmantes? O que aconteceu com as crianças brasileiras nos últimos 10 anos? Terão as famílias tido mais acesso ao diagnóstico - como defendem alguns -  ou o medicamento tem tido seu uso indiscriminado?

As crianças que são diagnosticadas com o Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ( TDAH), têm em comum o fato de se distraírem com facilidade, serem inquietos e demonstrarem pouco interesse nas atividades propostas. Por conta disso, não se detém nas tarefas, ficam pensativos, fantasiando, “viajando em pensamentos” como é conhecido popularmente. Consequentemente têm um resultado escolar aquém do esperado e demandam muita atenção por parte dos que as rodeiam, uma vez que não conseguem ‘parar’. Por isso o nome:  “hiperativos”.

Quando fazemos uma leitura da demanda social vigente, vemos que essas crianças são exigidas a serem cada vez mais adaptadas ao meio. Que fale mais de uma língua, façam várias atividades, tenha uma agenda de ‘pequenos executivos’. Para dar conta disso, recebem várias tarefas e também vários estímulos como: TVs, vídeo games, tablets, celulares, a lista como todos sabem, pode ser imensa!

Então, podemos perguntar: como a criança vai “parar”, como vai se concentrar se seu entorno desvia sua atenção constantemente?
Quantos já se perguntaram sobre quais são as causas da desatenção da criança, porque elas não conseguem conter os movimentos do seu corpo?
A Psicanálise nos ensina, que quando a criança não consegue conter suas pulsões, o demonstram no seu corpo, não conseguem parar de movimentá-lo. E não conseguem conter as pulsões, porque algo está faltando.

Falta uma palavra que possa “conter a avalanche das pulsões”, e por conta disso, a criança fica desorganizada. A relação delas com o espaço e o tempo fica “deficitária”, não conseguem esperar. Mostram com o gozo do seu corpo, um mal-estar e sofrimento.

Quando a palavra não consegue conter uma pulsão, o corpo responde com sua inquietação.

Em vez de perguntarem o que lhes acontecem, as "amordaçam" quimicamente e isso impede que a criança fale sobre sua angústia e seu sofrimento.
Diante do incomodo e preocupação do que acontece com os filhos, os pais no intento de resolverem a situação, procuram um diagnóstico e muitas vezes, esse, é equivocado. A medicação prescrita para as crianças diagnosticadas serve para reduzir a atividade motora, a impulsividade, consequentemente a atenção da criança melhora, a memória idem. Consequentemente o resultado na escola melhora também.

Mas, como fica o processo de simbolização, como ela entenderá o que lhe acontece? Se ela não consegue falar do que sente, como será seu futuro? E os efeitos colaterais dessas drogas?
E quando não perguntam e dão a possibilidade para que a criança se expresse falando, elas são tratadas igualmente, tomando uma medicação que as incluem em um signo “para todos”!

Remédio igual para crianças diferentes! E elas serão sempre diferentes, portanto seu mal estar será sempre singular a cada uma delas!
As pesquisas cientificas ainda não encontraram causas neuronais para justificarem o diagnóstico de TDAH, (ainda continuam buscando...) portanto, logo podemos dizer, que a causa da inquietação motora e desatenção de cada criança, diz respeito a vida de cada uma, ao seu meio familiar e sua história. Salvo, quando realmente ela apresenta alguma alteração orgânica...

Vale aqui algumas perguntas: 

Como estão sendo estabelecidas as disciplinas em sua casa?
Em qual discurso estão inseridas?
O que a criança entendeu do que viu e ouviu?

Se investirmos um tempo para perguntar em vez de medicar, teremos a chance de obter as respostas. Mas fazer dessa forma, demanda mais trabalho e mais tempo!

Andreneide Dantas 
30/09/14

#desatenção #TDHA #inquieta #disciplinas #ritalina #concerta #hiperativas 


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Limites

Vídeo sobre Limites e disciplina


Esse é um tema muito atual, pois vivemos em um mundo onde o excesso é o que se busca repetir...

O convite ou até o imperativo, para cometer excessos, faz com que as pessoas acreditem que podem tudo.



E isso é um equívoco, que traz muitas consequências, pois o limite, a castração, é o que nos torna humanos!

Quando os pais não conseguem dizer Não! para seus filhos (e para eles em primeiro lugar) prejudicam o desenvolvimento psíquico deles e as consequências podem ser graves!





Andreneide Dantas

29/08/14


#limites #disciplina #pais #filhos #castração  psicologiainfantil #psicanálisecom crianças 


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

" Mortes por Depressão crescem 705% " (Segundo Jornal Estado de S. Paulo, edição 17 de Agosto de 2014)





Depressão e morte 

" Mortes por Depressão crescem 705% " (Segundo Jornal Estado de S. Paulo, edição 17 de Agosto de 2014)

Esses dados muito nos preocupam e fazem com que nos perguntemos:

O porquê desse aumento?

As pessoas estão se deprimindo mais?

Ou estamos tendo acesso a mais diagnósticos e a dados como esses ?

O que está por trás desses números?

Será que o que vemos é o resultado de uma sociedade que durante as ultimas décadas colocou a ênfase no ter e não no ser?

Estamos sofrendo as consequências da desvalorização que se tem feito em relação á palavra, ao discurso de cada um?

As pessoas estão se comparando á maquinas ou se tratando como puro organismo, esquecendo que tem um corpo e que ele é afetado pelo que dizem, falam, pensam e também pelo que deixam de falar.

Por isso, é importante que cada um se pergunte, sobre o que está fazendo e falando.

O diagnóstico é importante para que cada um se deem conta quando necessita de ajuda. E essa ajuda, não pode ser somente medicamentosa.

Os medicamentos são importantes e também é fundamental o tratamento psíquico. Senão, o paciente até tem uma melhora sintomática, mas se não puder falar sobre seu sofrimento e elaborá-lo para poder viver melhor, só restará uma saída: acabar com sua vida para por um fim no sofrimento. Que é o que os números acima revelam.
.
A psicanálise é um tratamento através das palavras, para que cada um possa encontrar as causas de seu sofrimento e possa encontrar formas de viver melhor. 
E isso é possível quando em análise eles tem acesso ao inconsciente e ao gozo!

Abaixo trecho das palestras que apresentamos no ano de 2013, no ciclo "Como nos afeta nossa Época",  do Instituto Tempos Modernos em parceria com a clínica Escuta Analítica.

Ou melhor dizendo, como cada um é afetado em seu corpo, por todas as transformações de nossa sociedade e principalmente pelo que tem dito e pelo que ouviu em sua infância.

#depressão #depressãoemorte #inconsciente #gozomortal #infãncia
(28/08/14)

Psicanalistas Andreneide Dantas e Susana Palacios                                                                                                                                  



quarta-feira, 18 de junho de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Limites

                                                              
(Imagem retirada da internet - meramente ilustrativa)


Como estabelecer os limites?


Essa, é uma das maiores dificuldades dos pais na atualidade. Pois, não são poucos os que tem dificuldade ou não conseguem falar para os filhos o que eles podem ou não fazer!

Essas famílias se sentem desorientadas diante de tantas informações e transformações na sociedade. Da inversão de valores, das transformações tecnológicas com a rapidez muitas vezes desmedida, da carga excessiva de trabalho e da demanda social equivocada, para que sejam "amigo" dos filhos.

Diante de tudo isso, e somado ao fato – importantíssimo-   da particularidade da história familiar que cada pai e mãe traz, (muitas vezes sem ter consciência disso...) o resultado é uma desorientação, que resulta na dificuldade de se posicionarem no lugar de autoridade. Lugar de quem porta as regras e leis!

Leis, que são fundamentais para que possam ensinar aos filhos a importância das regras básicas: como a hora de comer, dormir, estudar, brincar.  Pois sabemos que uma criança pequena não tem o discernimento da importância de tudo isso, ela precisa de um adulto que a oriente.

É característico da constituição da criança que ela queira que suas necessidades e desejos sejam prontamente satisfeitos. Porém, precisa aprender que não dá para fazer somente o que quer....
Até porque se fosse assim, viveríamos em um mundo caótico.

Portanto, as regras e as leis organizam nosso mundo, nos orientam, freiam nossos impulsos destrutivos e possibilitam que possamos viver em um mundo civilizado.
A clínica cotidiana nos revela, o quão desorientados estão os pais quanto ao seu lugar, sua função: a de cuidar, amar, ensinar, transmitir os valores, a ética e de impor os limites.
Sem isso, os filhos ficam sem referências simbólicas, sem rumo, suscetíveis ao pior: a mercê das pulsões agressivas.

Andreneide Dantas   
22/05/14

#limites #pais #pulsões #agressividade  #disciplina



quarta-feira, 30 de abril de 2014

A Escola e a transmissão dos limites





A Escola é a segunda instituição mais importante da vida de um sujeito. A primeira, todos sabem, é a família.
No ambiente escolar, a criança se depara com adultos que estão fora do círculo familiar e esses também tem uma influência grande no desenvolvimento dela, pois tem a função de acolhê-la e transmitir o saber.

Também é na escola que ela lida com o fato de ter que conter seus impulsos destrutivos: não pode bater, quebrar brinquedos, destruir os móveis, etc. Precisam aprender a respeitar o horário de estudar, brincar, comer; esperar o momento de falar, de escutar o outro (professora, amigos), etc.

Portanto, a escola é um lugar fundamental para o desenvolvimento da estruturação psíquica da criança.

Entretanto, as famílias não podem transferir para os professores a função que lhes é própria: a função de pai e mãe, de educar os filhos, ensinar a importância dos limites. 
Pois uma coisa é a escola continuar trabalhando para desenvolver um cidadão, a outra é o fato de algumas famílias acreditarem que é a escola que tem que exercer a função que é delas: educar o filho.

E os limites organizam o sujeito e o mundo, sem eles as pessoas ficam "entregues" as suas pulsões destrutivas. E quando encontramos as mais variadas formas de violências, é porque naquele sujeito faltou um limite ao seu gozo de destruição! 

Andreneide Dantas
30/04/14

#disciplina #escola #alunos #educação #educadores # paiselimites

                                                                                                

terça-feira, 18 de março de 2014

Entrevista Vídeo - Psicanálise com crianças


Psicanálise com Crianças




Entrevista com a Psicanalista Andreneide Dantas, sobre Psicanálise com crianças.
(18/03/14)

#crianças #psicanálise #psicoterapia #análisecomcrianças #sintomas #psicologiainfantil

quarta-feira, 12 de março de 2014

Psicanálise com crianças - Entrevista (Parte 1)

Psicanálise com Crianças






















1.Quando uma criança precisa de atendimento psicanalítico?
Quando apresenta alguma dificuldade que atrapalha seu desenvolvimento. Dificuldades que os pais, a escola ou o médico podem detectar. Por exemplo, quando tem alguma doença recorrente, ansiedade acima do normal, medos exagerados. Enfim, quando tem algum sintoma que as fazem sofrer, é preciso que as crianças possam falar com um psicanalista para que através da palavra possam revelar o que não está bem com seu corpo e em suas relações com os outros. Pois as palavras tem o poder tanto de desorganizar um corpo quanto reorganizá-lo.

2.Á partir de qual idade é possível fazer o tratamento?
Atendo pacientes desde a idade de três anos, mas existem trabalhos feitos desde o berçário, com os recém-nascidos que apresentam alguma doença ou sintomas e por conta disso não respondem bem ao tratamento médico. Nesse sentido (com bebês) o psicanalista faz intervenções com a criança, falando com ela, sua mãe e equipe médica.

3.Em que se baseia o tratamento psicanalítico?
Em escutar o paciente, mesmo que esse tenha pouca idade, pois, por estarmos inseridos na linguagem, tanto podemos ser aprisionados pela palavra quanto libertados. O trabalho da psicanálise se baseia em escutar o que os outros discursos deixam de fora e que pertence ao inconsciente: os sonhos, os atos falhos, os esquecimentos e os sintomas.
Com crianças utilizamos a fala, escutando o que nos dizem sobre sua vida, sua relação com os semelhantes e também utilizamos jogos, desenhos e brinquedos, que vão servir como motor para que a criança possa através deles encenar e falar de outros acontecimentos, de outras cenas acontecidas em sua vida e que de alguma forma lhes provocaram sofrimentos ou interpretações equivocadas.
Através do brincar a criança coloca no simbólico algum real ameaçador, algo que foi vivido e não foi simbolizado. Dessa forma expressam o que está no seu inconsciente.  Temos o exemplo de uma criança, que tendo uma determinada doença, é levada ao médico e “toma uma injeção”. Na análise ela encena que é a médica e ela é quem aplica a injeção. Assim, ela vive ativamente o que outrora viveu passivamente. E isso lhe possibilitará elaborar o acontecido para que isso não resulte em traumas.  A criança também pode falar sobre seus pais, seus amigos, irmãos, trabalhar os sentimentos de ciúmes, inveja, raiva. Enfim, falar sobre o que sente e que em outros lugares ela não tem a chance de ser escutada.

Andreneide Dantas

sexta-feira, 7 de março de 2014

Filhos não podem mandar nos pais.

(Imagem retirada da internet para fins de ilustração)


Parece óbvia essa frase, mas não para muitos pais, que governados por sentimento de culpa ou medo, não se autorizam a ocupar o lugar que lhes pertencem: lugar de mãe e pai, portanto, daqueles que são detentores das leis e portadores das regras.

São eles que tem a obrigação de educar e ensinar aos filhos o que eles podem ou não fazer!

Aqueles, que equivocadamente não assumem essa função, ou porque viveram sob o jugo do autoritarismo dos seus pais e afrouxam os limites e se tornam permissivos; ou porque estão desgovernados pela liberalização dos costumes – e acreditam que tem que ser amigo dos filhos - provocam estragos na constituição subjetiva dos mesmos. Estragos que deixam marcas profundas e afetam-os no físico, psíquico e consequentemente nas relações sociais. O que vemos proliferar nas escolas.

As crianças necessitam que os adultos que as cercam (principalmente seus pais) ensine-as a "civilizarem" suas pulsões e vontades desmedidas. Por isso, é imprescindível que aprendam - desde a mais tenra infância - que não podem fazer tudo o que desejam. Porém, somente assimilarão essa regra fundamental, se estiverem amparados por adultos que se encarreguem de transmiti-la. 
Isso significa que para esse adulto essa regra também tem que valer.

Os filhos precisam de limites e se não receberem desde cedo, invertem a ordem familiar e passam a comandar sua casa e seus pais. Não raro, vemos acontecer no consultório, a cena de uma criança pequena que se sentindo “contrariada” em seus desejos, grita e até bate no rosto da mãe. E não é incomum, que esta sorria e "peça" para que ele pare. O sorriso escancara o que estava velado - quem manda é o filho. Esse recorte mostra o quanto equivocada está essa família.

Existe uma hierarquia na família e é fundamental que essa verticalidade prevaleça, pois se não for assim, todos os membros da família ficarão na mesma posição. Sem regras, sem hierarquia e sem leis... Quem avançará será a pulsão de morte!

Encontramos nas famílias chamadas pós-modernas, uma ausência dessa assimetria, onde os pais colocam-se como amigos ou irmãos de seus filhos, e esse fato provoca danos na formação e desenvolvimento desses sujeitos. São os pais que tem o encargo de intervir quando necessário e como irmãos ou amigos não terão autoridade para tal.

O “não!” é fundamental para a constituição do ser humano e quando ele falta, o que predominará será o imperativo da pulsão destrutiva: a falta de respeito, de responsabilidade, a agressividade e a violência.  Que se apresenta das mais diversas formas nas famílias: filhos ordenando aos pais a realizarem suas vontades (por mais descabidas que sejam) e em casos mais extremos agredindo-os, batendo e até... matando-os!

Andreneide Dantas  
07/03/14 


#limites #leis #hierarquia # respeito #violência #agressividade # limites
                          

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Escola - Lugar de Estrutura

(Imagem retirada do Google- Direitos reservados)

A escola é de suma importância na vida do sujeito. É nela, que ele passa muito tempo: infância e adolescência.
A estrutura que a Escola proporciona é tão importante quando a família, ainda mais hoje, onde encontramos uma desestrutura familiar muito grande.

Os que integram a escola precisam estar bem estruturados para ajudar seus alunos: ensinando-os, o que reverterá na escolha da profissão, integrando-os nos grupos e na sociedade, ajudando-os a tornarem-se cidadãos, e também, no que se refere a estrutura psíquica do sujeito. Pois se uma criança chega “sem limites”, a escola não pode desviar seu olhar, precisa agir, dando parâmetros para que cada aluno possa se organizar e reconhecer o que está fazendo.

Quando uma outra criança não consegue aprender, é importante que se investigue para descobrir a causa; se ela é agressiva e violenta necessita ser questionada, escutada e contida.
A escola, precisa preparar-se para trabalhar com as diferenças que cada criança tem, sabendo que não são iguais, nem uma "massa" homogênea que responderá da mesma forma a estímulos semelhantes. Cada aluno tem uma história de vida diferente, cada um tem sua singularidade e suas potencialidades, isso significa, que cada um reage e aprende de uma forma diferente.

As dificuldades que cada criança encontra na escola, a maioria das vezes, tem relação com seu estado emocional, salvo aquelas que apresentam problemas orgânicos.
O educador por sua vez, depara-se com situações, onde "transfere" para os alunos questões que são deles: íntimas e inconscientes, que estão relacionadas com outras pessoas, além do educando. Geralmente dizem respeito a sua história infantil, sua vida familiar, que por não serem devidamente tratadas, resultam em problemáticas que atrapalham seu desempenho e o bom andamento do trabalho.

Hoje em dia, muitas escolas preocupam-se mais em proporcionar instalações modernas com aparelhos tecnológicos e deixam de lado, muitas vezes, o educador. Esquecem de escutá-los e ajudá-los a superar suas dificuldades: que podem ser de cunho pedagógico ou emocional.

Andreneide Dantas
28/01/14

#professor #educador #limites #aprender #alunos #pedagógico #escola #educação

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Psicanálise



" Através da análise, o sujeito tem acesso a sua história infantil (acontecimentos que estavam reprimidos, que atrapalhava o transcorrer da história atual) ".

#análise #psicanálise #repressão # infantil

Andreneide Dantas (15/01/14)
" A análise possibilita que o sujeito elabore um acontecimento, assim deixará de ser dominado pela repetição inconsciente, que muitas vezes é entendido como destino ".

imagem: google